Com as eleições a chegar, já sentem aquele desconsolo de ir votar no partido menos péssimo? Já ruminam na angústia do vosso voto poder ditar a quarta bancarrota nos últimos 50 anos? Já partilham da frustração que é o gesto de introduzir o voto na urna provocar uma sensação tão semelhante ao da introdução do que for necessário introduzir para um exame à próstata?
Era aqui que vos diria “nada temam”. Só que não posso, pois estou a guardar todos os argumentos aldrabões para quando o PS voltar a precisar de arranjar um recôndito artista com provas dadas – ainda que todas elas bem negativas – no mundo do rap, para integrar a sua lista de candidatos por Lisboa.
Em alternativa, deixo-vos reflexões. Mas reflexões profundas, daquelas que permitem definir como proceder? Nada disso. Reflexões daquelas disformes, tipo Sala dos Espelhos da Feira Popular. A propósito, ocorreu-me o Livre. Lembrei-me daquele espelho em que uma pessoa magra se vê bem rechonchodinha. Que devia ser, digo eu, o único tipo de espelho disponível nas paragens de inspiração comunista das quais Rui Tavares é fã.
Mas porque merece o Livre esta menção especial, à parte dos outros partidos comunistas? Porque com Rui Tavares é que vai ser. Rui Tavares, sim, é o comunista que saberá preparar a gostosa receita soviética. PCP e Bloco de Esquerda, já se percebeu, por via geringonçal, não serem comunistas como deve ser. Já Rui Tavares é a última Coca-Cola do deserto. Que, num ápice, deixaria tudo à bulha pela última Coca-Cola do supermercado. Agora, se prefere cola de marca branca de grande superfície, é avançar para o Livre. E desfrutar dos quinze minutinhos até sermos todos escravos do Estado.
Há sempre a opção PS. Para quem tiver mais de 70 anos. E receber uma boa reforma. E acreditar mesmo que o PS de Pedro Nuno Santos seria incapaz de seguir as pisadas do PS de José Sócrates e não ter dinheiro para lhe pagar a boa reforma já em Junho. E não gostar dos seus filhos. E tiver ainda menos paciência para os seus netos. E achar que deve haver uma aposta forte nas forças armadas, que, há dias, soubemos que o PS tem um exército de bots para botar óptimas reviews ao partido nas redes sociais. Nesse caso, PS, PS, PS!
A não ser que seja daquelas pessoas que consideram fundamental existirem partidos comunistas no Parlamento, para que fique bem claro para todos o grotesco desta doutrina. E, nesse caso, talvez queira votar no PCP, ou no Bloco de Esquerda, se não votar já no Livre. Ou, partindo do mesmo princípio de deixar bem claro o grotesco de uma doutrina, talvez lhe interesse um qualquer partido fascista, ou até mais especificamente nazi, que entretanto apareça. É ficar atento.
Se, por outro lado, estiver armado em esquisito e não for muito dado a ideologias genocidas, pode sempre sonhar com um país em que, daqui a escassas semanas, a dupla PCP-BE não seja mais que mera recordação na nossa Assembleia. Deixem-me sonhar. Em todo o caso, seria parelha para deixar ainda mais saudades que a dupla Bonnie e Clyde.
No meio disto tudo, temos a chalupa desta campanha, Joana Amaral Dias. Estão certamente familiarizados com o significado do termo “chalupa”. Os últimos anos comprovaram que um chalupa é alguém que defende pontos de vista que, daqui a seis meses, todos os que lhe chamaram chalupa adoptarão, passando estes a tratar por chalupas aqueles que não os subscreverem.
Em qualquer o caso, há sempre a hipótese da abstenção. Só que a abstenção é um drama. É um drama ser tão baixa, nomeadamente junto dos votantes daqueles partidos em que devia ser gigantesca. “Mas que partidos são esses?” Não vão acreditar. São aqueles partidos que defendem ideias más, que dão maus resultados e que pioram a vida das pessoas. Parece fácil de perceber, não parece? Só que não é, para todas estas gerações de jovens que foram os mais bem preparados de sempre para serem, ou chicos-espertos, ou carneiros.
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