Rádio Observador

Educação

Aprendizagem combinada: o futuro do ensino

Autor
  • Patrick Götz
253

Só integrando a tecnologia na escola se pode dar resposta às necessidades do futuro, no qual os futuros trabalhadores, mesmo que não trabalhando na indústria tecnológica, terão de possuir conhecimento

“Patrick, como vai ser a escola do futuro?” É frequente fazerem-me esta questão, mas a resposta, como qualquer exercício de futurologia, é arriscada e imprevisível. Contudo, há uma tendência que deve ser tida em consideração, devendo ser seriamente equacionada como um caminho possível: o que eu chamo de aprendizagem combinada, conceito que deve ser entendido como um modelo de aprendizagem que combina o ensino “tradicional”, mais teórico e expositivo, e uma abordagem mais prática, proporcionada pela tecnologia. Mas, na prática, qual é o objetivo? O princípio é o de aprender as “matérias de sempre” e desenvolver competências com o apoio da tecnologia, desenvolvendo também as competências tecnológicas simultaneamente.

Num mundo crescentemente assente (e, por vezes, até dependente) na tecnologia, a sua entrada na escola parece-me inevitável e, a vários títulos, desejável, nunca como um substituto, mas como um complemento. Em primeiro lugar, porque a tecnologia já está na sala de aula. Rara será a turma que conta com um aluno sem smartphone, atualmente, uma das maiores fontes de distração dos jovens. Daí a premência de converter esses aparelhos em ferramentas de trabalho, anulando o seu potencial distrativo. Por exemplo, por que razão obrigamos os alunos a usar uma calculadora, se ela já existe nos smartphones? Ao integrar esses dispositivos no processo de aprendizagem e transformando-os em auxiliares, não só anulamos uma fonte de distração (porventura a mais forte), como poderemos aumentar exponencialmente a atenção e o foco dos alunos nas aulas, tornando-as mais interativas.

Aplicações como o KAHOOT! já dão provas de como resgatar a atenção dos alunos de novo para a aula, através da sua interatividade, permitindo uma abordagem e um ensino mais apelativo, interessante e, sobretudo, inutiliza o smartphone como elemento distrator, uma vez que está a ser usado para a própria aula. Todavia, este é apenas o primeiro passo da convergência entre aprendizagem e tecnologia.

O segundo passo radica na evolução dessa convergência para algo de mais profundo e substancial, como a inclusão de áreas do saber como a robótica ou a programação, primeiro, nas aulas, como uma ferramenta de aplicação prática e consolidação dos conhecimentos teóricos. Tal ajuda uma vez mais os professores, no sentido de encontrar novas abordagens, mais criativas e inovadoras de ensinar e captar a atenção dos alunos, bem como de os fazer entender a aplicabilidade prática de alguns conhecimentos, muitas vezes questionada pelos jovens, ao mesmo tempo que pode apoiar os docentes numa explicação mais eficaz dos conteúdos mais complexos.

A título meramente ilustrativo, cabe aqui o exemplo da Escola Alemã de Lisboa, que tem desenvolvido um trabalho de relevo. A instituição encontra-se já nesta segunda etapa, contando com resultados muito positivos ao levar a robótica até a algumas disciplinas “tradicionais”. Será neste ponto que acabamos por atingir uma aprendizagem do tipo combinado para os estudantes, em que a tecnologia se alia ao professor. E este passo terá de ser dado, mais cedo ou mais tarde. Porque o mundo mudou e, sobretudo, porque os alunos mudaram, muito, assim como a sua forma de aprender.

Além disso, esta convergência reveste-se de uma extrema relevância, na medida em que só integrando a tecnologia na escola se pode dar resposta às necessidades do futuro, no qual os futuros trabalhadores, mesmo que não trabalhando na indústria tecnológica, terão de possuir conhecimentos na área, pois, mesmo não fazendo máquinas, certo é que terão de trabalhar lado a lado com elas.

O último passo deste caminho culminará, quem sabe, na autonomização da robótica e da programação como disciplinas dos planos curriculares do ensino obrigatório, sem que se deixe cair a sua integração nas outras disciplinas, como complemento.

Repensar o papel da tecnologia na educação é, por isso, de uma importância inquestionável, devendo merecer uma atenção acrescida pelos órgãos de tutela.

Fundador e CEO da Teckies

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)