Hoje em dia, é uma verdade inquestionável que a inovação assume uma relevância determinante no crescimento e sustentabilidade empresarial. A inovação permite às empresas criar novos produtos, elevar a qualidade, diferenciar a sua oferta e produzir em condições mais eficientes. Mas também desenvolver novos canais de comunicação para interagir, melhorar e dar a conhecer ao mercado os seus bens e serviços e reformular a forma como entregam valor, estabelecendo relações de confiança com os seus clientes.

O estudo da COTEC “Destino: Crescimento e Inovação”, realizado em colaboração com a equipa de Innovation Advisory Services da Deloitte, vem reforçar este entendimento, demonstrando que as empresas que inovam, com processos de inovação estruturados, têm também melhores performances económico-financeiras. A aposta na inovação para a amostra de empresas consideradas mais inovadoras permitiu-lhes ter, em média, um resultado líquido 7,8 vezes superior à média das PME nacionais, um Valor Acrescentado Bruto (VAB) 5,9 vezes superior e uma rentabilidade do ativo 2,4 vezes superior. Estas empresas, em média, empregam também mais colaboradores, pagam melhores salários, exportam mais e estão menos endividadas.

A melhor performance financeira deverá ser um estímulo suficiente para as empresas que ainda não apostam e investem em inovação passarem a fazê-lo. A análise comparativa deste conjunto de empresas permite ainda compreender que estas têm melhores resultados e partilham um conjunto de características diferenciadoras na forma como atuam e encaram a inovação: analisam a envolvente externa e incorporam os resultados dessa análise na sua definição estratégica; planeiam e executam a estratégia de negócio e inovação; promovem uma cultura, liderança e modelo de governo que estimulam a inovação; alinham as suas políticas de capital humano com os objetivos de inovação; têm processos e ferramentas que permitem gerar e selecionar de forma recorrente ideias e convertê-las em projetos de Investigação & Desenvolvimento e Inovação, bem como proteger e valorizar os resultados desses projetos e atividades; desenvolvem rotinas de cooperação com parceiros externos e apostam na gestão do conhecimento, na melhoria continua e na monitorização de resultados. Aprender com estas melhorias práticas e utilizar ferramentas como o Innovation Scoring, que avalia e compara práticas de inovação das empresas, pode ser útil para compreender o estado de maturidade atual dos processos de inovação de uma empresa e os passos que devem ser dados para os sofisticar e conseguir melhores resultados.

O estudo realizado mostra ainda que em Portugal existe um número muito reduzido de pequenas grandes empresas: apenas 127 com um volume de negócios compreendido entre os 50 e os 500 milhões de euros e um número de colaboradores entre os 250 e os 500. Este é um número muito reduzido, que corresponde apenas a 0,03% do total de empresas. No entanto, é de valorizar que esta pequena fatia do nosso tecido empresarial seja responsável por quase 5% do volume de negócios, 8% das exportações e mais de 4% do VAB nacional. As PME portuguesas desempenham um papel fundamental na economia nacional, mas devem ser criadas condições para que cresçam, para que se graduem como grandes empresas.

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A mobilização de esforços, não apenas das políticas públicas, para a inovação e o desbloqueio dos constrangimentos ao crescimento das empresas será um passo importante no desenvolvimento do país.

Innovation Advisory Services Leader da Deloitte