Saúde Pública

Conhecer e compreender a diabetes

Autor
  • Estevão Pape

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Sensibilizar os portugueses para a experiência de serem “diabéticos um dia" ou realizar “um dia sem açúcar ou açucarados" irá certamente contribuir para uma vida com menos doença no futuro.

O dia 14 de Novembro é anualmente destinado pela International Diabetes Federation – IDF para sensibilizar a comunidade em todo o mundo para o problema da diabetes e das pessoas com diabetes .

A diabetes é uma doença crónica com uma prevalência mundial de mais de 500 milhões de pessoas, tendo uma prevalência estimada em Portugal de mais de um milhão de pessoas e provavelmente mais 500 mil que o são mas desconhecendo a sua situação .

No ano de 2018 a IDF e as organizações que se dedicam à diabetes em termos científicos, tal como a as associações de doentes, procuram sensibilizar os portugueses para o problema exponencial que esta doença crónica representa, numa campanha sob o lema “A família e a diabetes“.

Em todo o país pessoas com diabetes  e profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos envolvem-se em inúmeras iniciativas que permitam sensibilizar o “mundo real” para a diabetes e para as pessoas que com ela vivem e convivem diariamente.

Envolver a família das pessoas com diabetes é uma obrigação “familiar”, digamos assim, de todos os que convivem e vivem com as limitações e obrigações e, também, com a forma de viver de um diabético, muitas vezes complexa, mas também com as suas conquistas no dia a dia e também nas suas alegrias e tristezas .

A consciencialização da população portuguesa para a realidade da “situação doença “ é extremamente  importante para a mudança de atitudes no quotidiano, por isso o núcleo de estudos de diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna desafia os portugueses a levarem um estilo de vida saudável e, em especial no dia mundial da diabetes, fazerem a experiência de moderarem o consumo de açúcar e de produtos açucarados .

Ideal será sem dúvida a experiência de “por um dia ser diabético” e realizar o quotidiano da pessoa com diabetes e sua família.

Viver com diabetes por vezes não é fácil, mas é possível com envolvimento na terapêutica, seja ela a educação para o autocontrolo, seja a realidade de tomar múltiplos e complexos medicamentos desde a insulina aos diversos medicamentos orais, e ainda a autovigilância diária tantas vezes tão difícil .

A realidade da doença diabetes altera-se todos os dias, ou seja, não há dias iguais e essa consciencialização deve ter também a nossa – de todos – para uma real melhoria da saúde do conjunto da população.

Aguardar que apenas os profissionais de saúde se envolvam é pouco, todos temos que nos envolver .

A ciência e a medicina crescem no conhecimento de forma acelerada em todo o mundo, mas certamente não basta saber mais e melhor, e a descoberta de novos fármacos e formas de vigilância também não chega.

ífica e associativa deve envolver–se , mas também cabe papel às instituições que ao estudo da diabetes se dedicam, pelo que Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e o seu núcleo de estudos de diabetes Mellitus envolvem se em numerosas ações de sensibilização para uma prevenção do futuro, quer no âmbito hospitalar, quer na promoção da discussão pública da realidade das consultas que realizam em todo o pais .

Sensibilizar a tutela é também nossa obrigação – de todos os profissionais, mas essencialmente das pessoas que têm diabetes e suas famílias .

A organização do programa nacional de controlo da diabetes é premente e está algo estagnada, pelo que nos cumpre a todos “o alerta”: prevenir hoje é não ter problemas amanhã.

Sensibilizar os portugueses para a experiência de serem “diabéticos um dia” ou realizar “um dia sem açúcar ou açucarados” irá certamente contribuir para uma vida com menos doença no futuro, em especial prevenindo o risco de doença cardiovascular .

A formação contínua de actividades educacionais e formativas a todos os portugueses irá certamente contribuir para mais e melhor saúde e mais e melhor Serviço Nacional de Saúde .

Coordenador do NEDM-nucleo de estudos de diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

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