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Pergunto-me: já se pode reconhecer que a vacinação de professores em prioridade foi uma cedência política a interesses corporativos, sem qualquer sustentabilidade em critérios de saúde pública? Talvez não seja aconselhável dizê-lo, para não agitar um debate público que se tornou irracional e crispado. Mas é a verdade. E a testagem massiva nas escolas, nas últimas semanas, traçou o retrato que faltava: as escolas são espaços onde há pouco contágio de Covid-19. Nos dados mais recentes, divulgados esta semana, os testes detectaram 340 casos em 225 mil testes — ou seja, uma percentagem de positivos de 0,15% (um valor irrisório). Há 15 dias, a percentagem de positivos foi de 0,1% (125 casos em 110 mil testes). Era este o risco que justificava a vacinação de quase 200 mil professores, à frente de indivíduos de 70 anos ou, por exemplo, de quem trabalha nas caixas de supermercado?

Não vale a pena alegar que os resultados destes testes rápidos nas escolas constituem uma surpresa. Não constituem. Há meses que as evidências falavam por si: as escolas são espaços relativamente seguros onde, se cumpridas as regras sanitárias, o contágio era improvável, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. Repare-se que isto havia sido reconhecido, incluindo em reuniões do Infarmed. Tal como durante semanas havia sido sublinhado que o risco de manter escolas abertas (nos períodos mais críticos da pandemia) tinha mais a ver com o que se passava fora das escolas (maior circulação de pessoas) do que dentro das escolas (salas-de-aula). Mas tudo isso foi esquecido, convenientemente, na 25ª hora da definição dos grupos prioritários para a vacinação — para incluir os professores nos grupos de risco.

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