Eu, que nasci na Ucrânia durante a ocupação pela União Soviética, não estranho a vontade do PCP em ignorar o perigo da pandemia e querer realizar a Festa do Avante este ano. Até agora, os historiadores não conseguiram chegar ao número certo de pessoas executadas pelo regime soviético – são dezenas de milhares. E sem contar com as vítimas nos países onde os russos ajudaram a fazer golpes de Estado em nome da Revolução Internacional.

Os julgamentos de Nuremberga condenaram justamente os nazis e os fascistas. Foi uma grande vitória do humanismo contra a ideia de que o “bem comum” de uma nação pode ser superior ao valor da vida humana ou aos direitos de outras nações ou raças. Foi uma vitória grande, mas não completa. Os procuradores do Processo do Nuremberga esqueceram-se de dizer que foi a União Soviética que ajudou as tropas de Hitler a prepararem-se para a invasão europeia e que foram os soviéticos que invadiram a Polónia no início da Segunda Guerra Mundial.

Para Estaline, esta guerra não foi libertadora, mas, na realidade, invasora. Deu-lhe a oportunidade, não só de ocupar novos países do Leste da Europa, mas também de realizar “limpezas” étnicas nos países que pertenciam à USSR. Alguns exemplos: a deportação dos tártaros da Crimeia, em 1944, a batalha pelo Kyiv, em que o general Vatutin  mandou atravessar o rio Dnipro, propositadamente no sítio mais difícil, causando a morte a cerca de 200 mil soldados, sobretudo ucranianos. A vida dos próprios soldados não preocupava os generais vermelhos.

O meu pai nasceu em 1936, numa aldeia no Oeste da Ucrânia. Ele lembra-se da ocupação dos russos e dos alemães. Eram forças violentas e nenhuma respeitava a vida humana. Para os ucranianos, a Segunda Guerra Mundial só terminou, na realidade,  em 1991, quando a Ucrânia proclamou a independência.

A Segunda Guerra Mundial está agora a terminar na Bielorrússia, onde o povo se cansou do ditador comunista – Lukashenko.

Mas há mais países no mundo, onde as ideologias marxistas continuam em guerra com os seus próprios povos. Nesses países, a vida humana não significa nada, não existem direitos, nem liberdade, e mata-se o outro por ter uma opinião diferente. Enquanto o mundo não julgar os crimes desta ideologia, como fizeram com o nazismo e o fascismo, a guerra contra a vida humana vai continuar.