Embarcar numa viagem empresarial é frequentemente associado à ambição juvenil e à vontade de conquistar o mundo. No entanto, a ideia de que o espírito empreendedor está exclusivamente reservado aos jovens está a evoluir rapidamente – felizmente! Nos últimos anos, um número crescente de pessoas na faixa etária dos cinquenta anos tem abraçado o desafio de criar as suas próprias empresas.

Motivada por um interessantíssimo webinar em que tive o prazer de participar no passado mês de junho, promovido pelo IAPMEI e pela dNovo, resolvi partilhar a minha visão sobre o tema do ‘silver entrepreneurship’ (podia ter usado a expressão portuguesa ‘empreendedorismo de cabelos brancos’, mas, aqui entre nós, não tem metade da graça).

Se está perto desta idade e está a considerar criar o seu próprio negócio, saiba que tem vantagens competitivas significativas face aos seus pares com 20 ou 30 anos de idade:

Conhecimento e experiência. Uma das principais vantagens de empreender na casa dos 50 anos é poder contar com a riqueza do conhecimento e da experiência acumulados ao longo dos anos. Tendo passado décadas a aperfeiçoar competências, a desenvolver know-how e a construir redes profissionais, quando chegam à casa dos cinquenta estas pessoas possuem um conhecimento profundo dos seus respetivos sectores. Assim, conseguem tomar decisões informadas, enfrentar os desafios com confiança e reduzir os riscos de forma eficaz. Ou, como eu costumo dizer, antecipamos melhor o que pode correr mal.

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Redes e recursos alargados. Os anos de experiência profissional em várias funções traduzem-se em vastas redes e no acesso a recursos importantes. Empreendedores na casa dos cinquenta anos podem recorrer às suas extensas listas de contactos, procurar a orientação de especialistas experientes da indústria e aproveitar a experiência da sua rede para acelerar o crescimento dos seus projetos. Além disso, possuem frequentemente a estabilidade financeira necessária para investir nas suas empresas e suportar os desafios iniciais inerentes ao lançamento de uma empresa em fase de arranque. Esta vantagem única permite uma abordagem mais estratégica ao empreendedorismo, promovendo parcerias, colaborações e um sistema de apoio mais alargado.

Uma época de reinvenção. Vivemos na era do propósito. Convenientemente, a década dos cinquenta assinala uma fase de reflexão pessoal e profissional, a altura ideal para a reinvenção. As pessoas nesta faixa etária sentem-se ansiosas por novos desafios e novas oportunidades. A transição para o empreendedorismo proporciona uma saída estimulante para a autoexpressão e a criatividade. Permite a prossecução de projetos de paixão, que aproveitam a experiência de formas inovadoras e que se alinham mais estreitamente com os valores pessoais. Esta viagem transformadora reacende a faísca da inovação e do entusiasmo, conduzindo a um ‘segundo ato’ gratificante e orientado para um objetivo.

Deixar um legado. E, na sequência do ponto anterior, o empreendedorismo na casa dos 50 anos vai para além da realização pessoal. Oferece também uma oportunidade de criar um impacto duradouro, contribuindo para a comunidade e a sociedade em geral. O culminar de anos de trabalho árduo, combinado com a procura de oportunidades significativas, pode resultar num legado que inspira e motiva os outros. E, ao partilharem as suas experiências, conhecimentos e histórias de sucesso e insucesso, estes empreendedores abrem caminho às gerações futuras, demonstrando que a idade não é um obstáculo à realização dos seus sonhos, de empreendedorismo ou outros.

Dito isto, o empreendedorismo tardio também oferece os seus desafios e o melhor é sempre enfrentá-los com algum sentido de humor: um estilo de comunicação diferente, as dificuldades tecnológicas variadas, a total incapacidade para fazer uma selfie decente (leia-se, partilhável) tão importantes para enriquecer e dar espontaneidade às redes sociais, a incompreensão relativamente a 99% dos memes partilhados, alguma inadaptação à moda vigente no ecossistema empreendedor – jeans e all star não são o power dressing do nosso imaginário – e, o meu favorito, ter que aguentar com um sorriso quando, em sessões de pitching, o fundador novinho de um outro projeto ilustra a nossa faixa etária com um ícon de pessoa curvada apoiada numa bengala.

Mas, bom, a realidade é inexorável e as pessoas na casa dos 50 anos estão a abraçar o espírito de inovação e a embarcar em aventuras empresariais com muito sucesso. Por isso, se se encontrar na casa dos cinquenta e com uma grande vontade de empreender, dê o salto, pois a sua idade é apenas um número e o seu potencial é ilimitado.