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Brasil descobre foragido em festa de Costa

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Vera-Cruz Pinto, ex-cônsul em Porto Alegre, é acusado de ter desviado 2,5 milhões de reais da Arquidiocese da Igreja da Capital. Brasileiros desconheciam o seu paradeiro até o verem ao lado de Costa.

Adelino Vera Cruz Pinto foi vice-cônsul em Porto Alegre. Terá desviado 2,5 milhões de reais (788 mil euros) da Arquidiocese da Capital

Adelino Vera Cruz Pinto, ex-vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, acusado de ter desviado 2,5 milhões de reais (788 mil euros) da Arquidiocese da Igreja Católica da Capital, é notícia no Brasil, depois de ter sido visto ao lado de António Costa nas comemorações da vitória do presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições primárias do PS.

As imagens do abraço de Vera-Cruz Pinto ao candidato a primeiro-ministro, captadas pelas câmaras da TVI, foram notícia esta quarta-feira no Brasil: “Foragido no Brasil, em festa em Portugal”, é assim que o jornal brasileiro Zero Hora relata o aparecimento do ex-vice-cônsul em Porto Alegre, cujo paradeiro permanecia desconhecido até esta quarta-feira.

Apesar de ter um mandado de captura decretado pela justiça brasileira e de ser procurado pela Interpol, Vera-Cruz Pinto “segue vivendo livre em terras além-mar”, depois de ter, alegadamente, desviado fundos da Arquidiocese da Capital, num negócio que envolvia “financiamento do Governo português para restaurar igrejas de origem lusa no Rio Grande do Sul”, segundo explica o jornal brasileiro Zero Hora.

Em dezembro de 2010, sob a promessa de obter recursos de Portugal para obras em paróquias, o então vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, convenceu a Arquidiocese da Igreja Católica da Capital a depositar 2,5 milhões de reais na conta bancária dele em contrapartida a uma doação de 12 milhões de reais por meio de uma ONG belga dirigida por Teresa Falcão e Cunha. A entidade e a mulher nunca foram localizadas. A verba jamais apareceu. Pinto não devolveu o dinheiro”, pode ler-se numa cronologia feita pelo jornal brasileiro.

Vera-Cruz Pinto conseguiu fugir às malhas da justiça brasileira depois de ter saído do país em março de 2011, imediatamente depois de a polícia brasileira ter aberto um inquérito ao caso, tornando-se, assim, um foragido internacional.

Por cá, o comportamento do ex-cônsul também foi notícia. Vera-Cruz Pinto terá distribuído o dinheiro desviado por duas contas, uma no Brasil e outra em Espanha. O destino do dinheiro? Spas, hotéis, restaurantes, farmácias e lojas de informática. Entre dezembro de 2010 e março de 2011, terá passado 33 cheques.

Alertado pelas autoridades brasileiras, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) suspendeu entretanto o cônsul.

A legislação portuguesa impede a extradição de portugueses para o Brasil, pelo que Vera-Cruz Pinto, nomeado vice-cônsul em Porto Alegre pelo Governo de José Sócrates, deve permanecer em liberdade em Portugal e ser julgado à revelia pela justiça brasileira.

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