Logo Observador
Empreendedorismo

My.Skinmix: este creme não é para ti, é para mim

Projeto vencedor da terceira edição do Lisbon Challenge precisa de 300 mil euros para avançar com a produção industrial de cosméticos personalizados, que querem acabar com o 'status quo' da indústria.

A ideia nasceu em 2012 e o projeto arrancou em 2013

Getty Images

Criar cosméticos que se ajustem às necessidades e desejos de cada pessoa. É a isto que se propõe a My.Skinmix, a startup que na sexta-feira venceu a terceira edição do Lisbon Challenge, programa de aceleração de empresas organizado pela Beta-i – Associação para a Promoção do Empreendedorismo e Inovação. Helena Vieira, Ana Lopes Prata, João Fernandes, Nuno Cartaxo e Patrícia Calado são as mentes por detrás do projeto.

Não gostamos e não precisamos todos dos mesmos produtos. E isto já chegou ao têxtil, ao calçado. Toda a gente já consegue personalizar os produtos. Mas ainda não tinha chegado à indústria da cosmética, porque é uma área altamente regulamentada. E nós quisemos questionar o ‘status quo’ da indústria: porque é que eu não posso personalizar o meu creme?”, explicou Helena Vieira ao Observador.

A ideia nasceu em 2012, numa conversa entre Helena Vieira e Patrícia Calado. Utilizavam ambas o mesmo creme, mas por razões distintas: uma porque precisava da função a que o creme se propunha, a outra porque gostava do aroma e textura. A pergunta surgiu: “mas porque é que eu não posso ter este creme com outro aroma ou este aroma noutra função?“, conta a empreendedora.

No início de 2013, avançaram com o projeto. Helena Vieira já tinha know-how na área da cosmética. Com formação em biomedicina, é professora na área de empreendedorismo e inovação na Faculdade de Ciências, da Universidade de Lisboa, e foi num curso que tirou na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, que teve contacto com o conceito de “inovação aberta”. Com dez mil euros, a equipa conseguiu desenvolver algumas formulações e avançar com vendas piloto.

Agora, precisamos de escalar“, revela. Para poderem avançar para a produção industrial dos produtos, precisam de um investimento de cerca de 300 mil euros. “Os nossos produtos são naturais, não têm químicos e são todos fabricados cá”, conta.

A My.Skinmix é uma das dez startups que vai participar numa ronda de apresentação dos projetos a investidores internacionais em São Francisco, Nova Iorque e Tel Aviv, em Israel. As finalistas do Lisbon Challenge foram conhecidas na sexta-feira, no final do Lisbon Investment Summit, e as cinco melhores também recebem 30 anos de espaço gratuito para escritório – oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa – horas de serviços jurídicos da Team Genisis, entre outros serviços gratuitos.

Além da My.Skinmix foram selecionadas mais nove projetos para participar no ‘roadshow’ de investimento:

WalletSaver – é uma app que sugere ao utilizador o melhor tarifário, de acordo com dados de consumo (chamadas, SMS, Internet) extraídos diretamente do smartphone.

Pure – é uma app para planear encontros. Os utilizadores procuram pessoas que querem ter um encontro, descobrem se a outra pessoa está interessada e combinam o encontro. Tudo no espaço de uma hora.

Planedia – é uma ferramenta simples e interativa para planear uma viagem com amigos. Combina a informação para ajudar o utilizador a escolher onde ir, como lá chegar e o que fazer uma vez no destino.

Rewind Cities – é uma app que utiliza realidade aumentada para disponibilizar aos utilizadores simulações de eventos históricos, observarem a evolução dos sítios e objetos ao longo do tempo. Também fornece vários roteiros temáticos que podem ajustar-se aos interesses do utilizador.

MagniFinance – ajuda empresas a fazer a gestão do dinheiro em cinco minutos diários. Fornece aos gestores uma plataforma com ferramentas automáticas para simplificar as tarefas de gestão. Permite a sincronização com contas bancárias, dá sugestões de reconciliação, entre outros.

Tationem – ajuda empresários a competir com outros empresários, dando-lhes a oportunidade de se ligarem a clientes. A Tationem ajuda os clientes a tomarem decisões mais bem informadas.

Walmond – é uma plataforma online que oferece receitas e sugestões de atividades com base num algoritmo que utiliza informação nutricional dos utilizadores para gerar planos de refeição automáticos.

Doinn – é uma plataforma e comunidade onde os anfitriões de arrendamentos de férias podem receber lucros extra com serviços reservados pelos seus convidados.

Farmin – ajuda os clientes ou decisores a analisar de forma rápida o funcionamento da sua quinta, a verificar quais os animais mais e menos lucrativos que têm em stock e a tomar decisões mais rápidas

 “Estamos muito satisfeitos com o sucesso do Lisbon Challenge. Nas três edições, já tivemos um total de 1200 inscrições de ‘startups’ de 57 países. As ‘startups’ participantes conseguiram arrecadar mais de 23 milhões de euros em investimento e foram criados mais de 400 postos de trabalho”, referiu Pedro Rocha Vieira, Presidente da Beta-i.

As candidaturas para a edição de Primavera de 2015 do Lisbon Challenge encontram-se abertas até 11 de janeiro e o primeiro prazo termina na sexta-feira, 12 de dezembro. Aceitam-se candidaturas de startups nacionais e internacionais na área da tecnologia, que estejam em early-stage e que procurem testar o seu produto

O Lisbon Challenge é apoiado pela Câmara Municipal de Lisboa, Governo e Comissão Europeia, e tem o alto patrocínio do Presidente da República. É também patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos e Caixa Capital, Turismo de Portugal, KIC InnoEnergy, IEFP, EDP e Microsoft, entre outros.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: apimentel@observador.pt