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A Bhout abriu o seu primeiro clube, em Lisboa, há quase três anos
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A Bhout abriu o seu primeiro clube, em Lisboa, há quase três anos

TOMÁS SILVA/OBERVADOR

A Bhout abriu o seu primeiro clube, em Lisboa, há quase três anos

TOMÁS SILVA/OBERVADOR

Bhout. O saco de boxe inteligente que começa com um sonho "estranhíssimo" e que espera dar um pontapé em novo investimento

Começou com um sonho e arrancou numa garagem. Ultrapassou a Covid-19 e foi distinguida pela revista Time. A história da Bhout, startup que criou um saco de boxe com inteligência artificial.

Quando era pequeno queria ser biólogo ou veterinário. A “paixão imensa” por animais, que ainda hoje se mantém, traduz-se no seu “pequeno jardim zoológico” em casa, com dois gatos, um cão e uma tartaruga da “quarta maior espécie do mundo”. Na vida profissional optou por seguir um caminho diferente, influenciado pelo gosto pelas artes marciais, que começou a praticar aos 11 anos. Mauro Frota fez formação na área do desporto, mas foi um sonho que o levou a fundar a Bhout, startup que criou um saco de boxe com inteligência artificial.

Foi há nove anos que Mauro Frota sonhou que estava a jogar um videojogo através de um saco que, “de alguma forma”, se “transformava” no seu adversário. “Foi estranhíssimo. Lembro-me de acordar de manhã e começar a procurar na internet se havia já alguma coisa [deste género] feita. E não havia absolutamente nada”, afirma, recordando que na altura considerava que o setor do exercício físico estava “a falhar às pessoas”. Até porque, defende, no mercado português era “extremamente fácil vender inscrições, mas muito difícil manter as pessoas a treinar”.

Ao sonho seguiu-se um “cliché de startups”. A Bhout começou na garagem de Mauro Frota (o CEO), a quem se juntou o arquiteto Pedro Barata (atualmente chief experience officer — CXO), para juntos começarem a desenvolver os primeiros protótipos do produto. Após anos de investigação, um primeiro piloto feito no ginásio Clube VII, em Lisboa, e uma pandemia, a tecnológica foi, em 2023, destacada pela revista Time como uma das 200 melhores invenções do ano e fechou uma ronda de financiamento de 10 milhões de euros.

Agora, o foco está no possível acordo, ainda este ano, para um investimento maior e na expansão do negócio, com a abertura de 20 clubes. Além de abrir mais espaços em Portugal, nomeadamente em Odivelas e Almada, a empresa vai chegar a Madrid, a São Paulo e a Nova Iorque.

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Mauro Frota é o CEO da Bhout

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De “estourar cartões de crédito” a “muitas noites sem dormir”. A construção do primeiro clube Bhout

Com o primeiro piloto, feito dentro do Clube VII antes da pandemia, a correr “muito bem”, Mauro Frota e Pedro Barata começaram a pensar em criar um espaço próprio para dar continuidade à missão de mudar a relação das pessoas com o exercício físico. Para alcançarem o objetivo de abrir o primeiro Bhout Club precisaram de investir todas as suas economias e fazer “uma série de coisas malucas”, que dizem não recomendar a ninguém, como “pedir uma segunda hipoteca da casa” ou “estourar cartões de crédito”.

Sem dinheiro para contratar mão de obra, os cofundadores construíram “80% do clube” com as próprias mãos. O espaço que escolheram tem cerca de 200 metros quadrados, fica perto da Avenida de Roma, em Lisboa, e abriu num mês de agosto, há quase três anos, quando a Covid-19 ainda trazia incerteza ao país e ao mundo do fitness. “Existiu um receio enorme” em apostar nessa área de negócio devido à pandemia. “Houve muitas noites sem dormir e um ataque de pânico pelo meio”, reconhece Mauro Frota que, ainda assim, mantinha a crença de que a empresa tinha “os ingredientes [certos] para fazer alguma coisa diferente”.

É no que descreve como o “clube mais rentável por metro quadrado em Portugal” que o CEO da Bhout recebe o Observador para uma conversa em que ocasionais sons de socos servem de barulho de fundo. Com as janelas tapadas e luzes coloridas que não transmitem o ambiente de ginásio, os sacos de boxe têm predominância num espaço pensado para tentar cativar aqueles que estão desencantados com o exercício físico. Os balneários são individuais para deixar mais confortáveis as “pessoas que não gostam de se expor”, que são o público-alvo da startup portuguesa. As portas dessas cabines, que contrastam com a restante decoração industrial, têm ilustrações feitas pelo artista Gustavo Romano, nas quais se pode ver a Mona Lisa ou Michael Jackson com luvas de boxe.

A entrada no Bhout Club é feita sem passar por uma receção
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O espaço tem cerca de 200 metros quadrados
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A estética é industrial
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O Bhout Club vai ser remodelado para incorporar sacos com mais tecnologia
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Mauro Frota falou com o Observador semanas antes da mudança
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Gustavo Romano é o responsável pelas ilustrações...
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... que colocam a Mona Lisa ou Michael Jackson com luvas de boxe
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As luvas não podem faltar para o treino
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As luzes coloridas do clube não transmitem a sensação de estar num ginásio
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O Bhout Club tem atualmente cerca de 750 clientes ativos. Sem receção, a marcação de aulas é feita online, através de uma aplicação. O custo dos treinos foi aumentado “em média 5%” no início de março, para “compensar a inflação”, sendo que varia entre os 39 euros (4 aulas por mês) e os 81 euros (20 por mês). Para o futuro, a empresa diz que não está a ser contemplada uma nova subida, mesmo que o ginásio vá sofrer uma remodelação.

Os sacos antigos são “smart but not so smart”, os novos têm cérebro

A partir de maio, aquele que foi o primeiro Bhout Club vai estar “completamente novo”. Os sacos de boxe pendurados aquando da visita do Observador, que eram “smart but not so smart” pois “sabiam” apenas que “existia um impacto”, vão ‘cair’ para dar lugar a outros mais modernos e com mais tecnologia.

Apesar de mais inteligentes do que os antigos, os novos sacos “nascem burros” e precisam de ser treinados, nomeadamente a sua exatidão, com recurso a machine learning. Aqueles que os vão golpear deverão sentir, segundo Mauro Frota, que estão a atingir algo “mais biológico e orgânico”. Ou seja, a experiência deverá ser “mais parecida com o bater numa pessoa” sem efetivamente o fazer.

Por isso, os novos sacos foram feitos para “imitar o corpo humano” e têm multicamadas como, por exemplo, uma que imita a pele e é feita com pele natural de cato. O interior é composto por 85% de água, armazenada em “botijas” que não têm de ser recarregadas ao longo do tempo, para imitar a densidade dos órgãos humanos. Além de permitirem uma rotação de 180 graus, até porque não estarão pendurados, têm sensores que, com recurso à inteligência artificial, identificam murros, pontapés e joelhadas.

3 fotos

Em 200 milissegundos, os sacos sabem a quantidade de golpes, sabem se a pessoa está a bater onde devia durante a sequência, sabem a velocidade e a potência de cada golpe. É através de 3D Computer Vision [o saco tem uma câmara] e da inteligência artificial que identificam a técnica que a pessoa está a usar”, explica Mauro Frota.

Quanto mais perfeita for a técnica ou maior a velocidade, mais pontos o utilizador ganha. Quanto mais cansado estiver, como acontece nas lutas de boxe verdadeiras, mais vai perder. No total, são seis as métricas que podem ser transformadas em pontos: precisão, potência, velocidade, técnica, cansaço e a quantidade de golpes. De acordo com Mauro Frota, os utilizadores “ganham pontos por cinco das métricas e perdem pontos pelo cansaço”. A pontuação, além de poder ser uma motivação extra, representa a união que a startup quer fazer entre os mundos do fitness e do gaming.

Os novos sacos vão ter nove áreas golpeáveis e, através da aplicação, os seus utilizadores poderão perceber quantos murros ou pontapés deram em cada parte durante o treino e qual a velocidade média com que o fizeram. Neste momento, a aplicação da Bhout ainda só permite comprar a mensalidade e marcar as aulas. A partir de maio, com a remodelação dos clubes, vai possibilitar não só ver as métricas — e ter acesso a um “relatório” com dicas sobre como evoluir — como escolher o saco em que quer treinar.

A aplicação da Bhout é gratuita?

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Para os utilizadores que têm uma mensalidade nos clubes Bhout a aplicação é gratuita. Porém, se a pessoa optar por usar o saco em casa terá que pagar um valor por mês. Se estiver num hotel será esse o responsável pelos custos. Questionado pelo Observador sobre se os valores diferem, Mauro Frota diz que sim.

  • Para as casas existem dois valores: 14,99€ se for para uma só pessoa, 39,99€ se for para uma família inteira.
  • Quanto às empresas ou hotéis dependerá do número de utilizadores. “Não há ainda um número fixo, será progressivo consoante o número de pessoas” que usam o saco.

A produção dos sacos é feita a nível nacional, o que, admite Mauro Frota sem avançar com números, fica mais caro à empresa do que se tivesse optado por parceiros internacionais. Questionado pelo Observador sobre o porquê desta aposta, diz que ainda são conseguidos “preços razoáveis” em Portugal. “Depois, temos um controlo sobre a produção, especialmente numa fase inicial, muito grande”, acrescenta. A startup tem “cinco fábricas a produzir diversos componentes para o saco entre a Marinha Grande e Leiria”, região que acolhe a sua sede social e os laboratórios de engenharia. Neste momento, prevê que a partir do início do último trimestre do ano consiga produzir “mil sacos por mês”.

A Bhout começa com um sonho
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A startup dá o pontapé inicial na garagem de Mauro Frota
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A possibilidade de fechar uma nova ronda de investimento

Para utilizar os sacos com inteligência artificial não é obrigatório visitar um dos espaços próprios da startup portuguesa, uma vez que a Bhout também os comercializa para utilizadores privados (que os podem ter em suas casas), outros ginásios, empresas e até hotéis. No primeiro mês deste ano, a tecnológica arrancou com uma pré-venda, destinada a clientes privados, de 250 dos novos sacos. Aqueles que se inscreveram tiveram de avançar com 200 dólares (cerca de 185€) iniciais, que vão abater no preço final de um kit composto pelo saco, luvas e elásticos de resistência que tem um valor de 2.500 dólares (cerca de 2.295€) e que será entregue em setembro.

Apesar de a pré-venda ter começado já este ano, Mauro Frota indica que o foco da empresa para 2024 “deixa de ser os clientes privados e passa a ser essencialmente empresas, sejam hotéis, cadeias de ginásios” ou até tecnológicas. A LinkedIn, por exemplo, está a comprar os sacos da Bhout para “competir entre os vários escritórios”.

Entre os objetivos para o futuro está também a expansão da equipa que, se em dezembro contava com sete elementos, é agora composta por cerca de 20 profissionais. Até ao final do ano, a startup portuguesa pretende que o número aumente para 30 ou 40 trabalhadores, sendo que precisará de cerca de 100 coaches (atualmente conta com 13) para acompanhar a expansão do número de clubes.

"See you in the next round" é uma das frases inscritas nas paredes do Bhout Club

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No horizonte está ainda a possibilidade de a Bhout fechar uma ronda de investimento maior, Série A, “provavelmente” este ano. Sem se querer “alongar demasiado”, Mauro Frota afirma que o levantamento de capital deverá contar “essencialmente com investidores internacionais, do Médio Oriente, do Reino Unido e dos Estados Unidos”. “Estamos a falar com alguns dos maiores fundos do mundo na nossa área e temos negociações muito interessantes a decorrer”, salienta o CEO, sem dar mais detalhes.

Desta forma, poderá ser caso para dizer “See you in the next round!” (“Vemo-nos na próxima ronda”), frase que está inscrita numa das paredes do primeiro Bhout Club, em Lisboa.

 
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