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Drogas

Cannabis levou mais portugueses a procurar ajuda contra as drogas em 2013

Heroína continua a ser a principal droga a motivar tratamentos nos centros de reabilitação em Portugal. Consumo de cannabis está a levar também cada vez mais pessoas a procurar ajuda.

Cannabis leva cada vez mais novos utentes a procurar ajuda em Portugal

AFP/Getty Images

Autor
  • Catarina Falcão

O relatório anual do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) concluiu que, em 2013, o número de consumidores de heroína diminuiu em Portugal, com a subida do consumo de cannabis, ecstasy e cocaína. No entanto, foram os toxicodependentes que utilizam esta droga injetável que mais procuraram ajuda nos centros de tratamento.

No total, cerca de 28.133 portugueses foram tratados por problemas relacionados com droga em 2013. Destas pessoas, 2154 eram utentes readmitidos e 1985 eram novos utentes. De todos os toxicodependentes que recorreram aos vários tipos de tratamento, 82% tinha como principal droga de consumo a heroína. Apesar de o número de pessoas que foram tratadas em 2013 ter diminuído face a 2012 – nesse ano, foram tratadas mais de 29 mil pessoas -, segundo o SICAD, têm aumentado o número de novos utentes de forma consistente nos últimos quatro anos.

No entanto, as tendências de consumo que os levam tanto a ambulatórios, como comunidades de tratamento ou unidades de internamento, são diferentes, já que cerca de metade destes novos utentes chega devido ao consumo de cannabis. Em termos de internamentos, foram registados 1631 casos em Unidades de Desabituação, com mais de metade a apresentarem problemas com drogas.

Apesar de a heroína continuar a ser a droga que leva mais portugueses a procurarem ajuda, embora se verifique cada vez mais pessoas que referem a cannabis e a cocaína como principal droga de consumo e principal vício que os leva a pedir ajuda. Grande parte das pessoas em tratamento na rede pública eram residentes em grandes centros urbanos com 22% dos utentes a vir do distrito do Porto, 21% de Lisboa, 10% de Setúbal e 9% de Faro.

Outra das conclusões deste relatório é que as idades entre quem procura ajuda é cada vez mais heterogénea, com muitos jovens a chegarem pela primeira vez e um segmento mais envelhecido que é reincidente. O SICAD considera que por isto é “essencial reforçar a diversificação das respostas e continuar a apostar nas intervenções preventivas de comportamentos de consumo de risco”.

Em 2013, o Instituto Nacional De Medicina Legal registou 184 mortes com a presença de pelo menos uma substância ilícita, mas apenas 22 foram considerados overdoses (cerca de menos 24% que em relação a 2012, segundo este relatório). Os números de 2013 mostram ainda que foram iniciados 8729 processos relativos a infrações com drogas, “representando o valor mais elevado desde 2001”.

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