Luís Marques Mendes

Marques Mendes condena falta de renovação no PSD

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Marques Mendes elogiou Passos Coelho por ter feito "mudanças na boa direção", mas condena a falta de renovação no partido. Quanto à comissão de inquérito do Banif, diz que falta chegar ao essencial.

Paulo Spranger / Global Imagens

No espaço de comentário de domingo, na SIC, Luís Marques Mendes teceu críticas em relação à renovação das listas, que diz ter sido “o ponto fraco do congresso” do PSD, que terminou este domingo em Espinho. Marques Mendes acredita que a imperativa do partido devia ser escolher pessoas que deem sinal de abertura ao exterior e uma ideia de abrangência dentro do partido e isso não aconteceu. Acrescenta ainda que “as pessoas que entraram têm muitas qualidades mas têm mais perfil de governo do que de oposição” e lamenta que Passos Coelho tenha dado “preferência à fidelidade sobre a diversidade”. Deu o exemplo de Maria Luís Albuquerque, agora vice-presidente do partido, que por ter sido ministra das Finanças no governo de Passos Coelho, reflete uma imagem de passado. Marques Mendes afirma que ex-ministros não devem fazer parte da direção, porque isso gera alguns condicionamentos, principalmente quando a ex-ministra das Finanças está a ser investigada na comissão de inquérito do Banif. Apelidou, por isso, o que se passou de uma renovação em “circuito fechado”.

Marques Mendes destacou o discurso de encerramento como o melhor momento de todo o congresso. O comentador diz que Pedro Passos Coelho “fez mudanças na boa direção sem se descaracterizar” e elencou as mudanças que achou mais relevantes no líder do PSD. Em primeiro lugar uma mudança na atitude: pela primeira vez assumiu-se como líder da oposição. Segundo: falou muito mais de futuro do que passado e falou mais das suas ideias. Em terceiro lugar, mudou no plano da iniciativa, num discurso em que apelou a consenso e deu abertura a entendimentos.

No domínio da estabilidade, considera Marques Mendes, o ex-primeiro-ministro também fez avanços ao dizer que não quer eleições antecipadas. O partido está “a entrar num clima de normalidade”, diz o comentador, admitindo que pode ser por efeito de Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre lutou pela estabilidade.

Em relação a Santana Lopes, Marques Mendes elogiou a sua prestação mas questiona se se irá mesmo candidatar à Câmara de Lisboa. Ainda assim, garante que a demonstração de interesse já conseguiu “condicionar o CDS e condicionar o PSD”. A eventual candidatura de Assunção Cristas, que o comentador já tinha adivinhado, pode ficar condicionada caso Santana Lopes avance, visto que é um adversário de peso. Condiciona também o PSD porque enquanto Santana Lopes não decidir, o partido também não pode avançar com outro candidato. Marques Mendes relembra que as autárquicas nas duas maiores cidades do país perfilam-se difíceis para os sociais democratas, mas que este congresso trouxe três nomes interessantes para a corrida à autarquia da capital: Santana Lopes, Jorge Moreira da Silva e José Eduardo Martins, que foi desafiado por Aguiar Branco a candidatar-se e ainda não respondeu ao desafio.

Comissão de Inquérito ao Banif: “A primeira semana não foi brilhante”

Marques Mendes criticou a comissão de inquérito do Banif, que diz ter sido pautada por “uns truquezinhos” que se desviam do cerne da questão. “Querem atacar o Carlos Costa que é sempre o elo mais fraco”, diz o comentador. Na sua opinião, os deputados, que estiveram muito bem na comissão de inquérito do BES, deixaram escapar as questões essenciais na do Banif. A primeira questão tem que ver com a atuação do governo anterior que devia ter aberto um concurso para venda do Banif no ano passado, tendo em conta que as instituições europeias estavam a fazer pressão para que o banco fosse vendido. “Tem que haver uma explicação para isto”, diz Marques Mendes. Sobre este tema devem ser ouvidos os responsáveis do Banco de Portugal mas, acima de tudo, a ex-ministra das finanças Maria Luís Albuquerque deve uma explicação.

Outra situação que tem que ser explicada segundo o comentador foi a abertura de um concurso à pressa no final do ano passado. Marques Mendes afirma que “esse concurso foi uma farsa”, já que devia ter sido feito no inicio do ano e foi feito fora de tempo. Acrescenta ainda que a 17 de novembro do ano passado a direção geral da concorrência da UE disse que o Banif tinha que ser objeto de resolução até ao natal e, como tal, o concurso não se justifica. Outra questão que deve ser respondida “a bem da transparência” é porque é que só foram consultados o Santander e o Banco Popular na venda do banco.

Ainda em relação ao Banif, Marques Mendes rematou dizendo que “Bruxelas é que determinou tudo isto, mas Portugal colocou-se a jeito, porque sabendo que Bruxelas queria liquidar o banco, devia ter agido por antecipação”.

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