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Panama Papers

Mario Vargas Llosa quis uma conta offshore da Mossak Fonseca, dias antes de receber o Nobel

As investigações dos Panama Papers revelaram que o escritor tinha planeado abrir uma empresa com a sua ex-mulher através da Moosak Fonseca dias antes de receber o prémio Nobel.

Getty Images

O jornal El Confidencial faz parte do consórcio de jornalistas que teve acesso aos Panama Papers e descobriu ligações entre o escritor peruano Mario Vargas Llosa e a Mossak Fonseca. Aparentemente o escritor tinha tentado comprar a Talome Services Corp., empresa offshore, com a sua ex-mulher, Patricia Llosa, em 2010.

Ao contrário de maior parte dos casos, o casal Llosa não tinha a empresa desde início, mas tentou tornar-se acionista maioritário. Para adquirir as ações o escritor terá recorrido à empresa especializada em contas offshore Mossak Fonseca. Para fazer a negociação, os Llosa terão usado Dave Marriner como intermediário. O diretor da empresa holandesa Pan-Invest Management contactou a Mossak Fonseca para comprar as 1000 ações da Talome Services – 500 para Mario Vargas Llosa e 500 para Patricia Llosa.

O processo de compra da empresa começou a ser arranjado no dia 31 de agosto de 2010. Tanto o escritor como a mulher terão assinado os documentos para se tornarem acionistas da empresa, mas as comunicações entre a empresa e o casal foram interrompidas até ao dia antes de Vargas Llosa receber o Prémio Nobel da Literatura, no dia 7 de outubro desse ano.

No dia 6 de outubro Marriner terá enviado um comunicado à empresa onde se pode ler “Quando adquirimos as ações da empresa, fizemo-lo com o requisito de que os meus clientes fossem acionistas maioritários. No entanto, os requisitos dos meus clientes mudaram e, visto que a sociedade ainda não foi estabelecida, querem tornar-se apenas acionistas da empresa.”

Uma semana depois de o escritor de “A cidade e os cães” receber o prémio da Academia Sueca, no dia 12 de outubro o casal Llosa terá vendido as suas ações a privados russos.

Mario Vargas Llosa e a sua ex-mulher já desmentiram a sua ligação com a empresa em questão e afirmaram nunca ter tido contas no Panamá e que sempre cumpriram as suas obrigações fiscais para com Espanha, onde residem, informa o Clarín.

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