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Papa em Fátima

Peregrinações à Nossa Senhora da Ortiga, Fátima e a epidemia de “aparições”

As peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora da Ortiga, há mais de 300 anos, a seis quilómetros da Cova da Iria, antecederam a veneração à Virgem de Fátima, após as “aparições” de 1917.

No ano de 1918, registou-se um caso em Ponte de Sor e outro em Vale do Arco (Tarouca), e outro na ilha de São Miguel, nos Açores

PAULO CUNHA/LUSA

As peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora da Ortiga, há mais de 300 anos, a seis quilómetros da Cova da Iria, antecederam a veneração à Virgem de Fátima, após as “aparições” de 1917.

Nessa época, houve uma “epidemia de aparições”, antes e depois dos acontecimentos com Francisco, Jacinta e Lúcia, que afirmaram ter visto a Virgem na Cova da Iria, entre maio e outubro de 1917 (a “aparição” de 19 de agosto não foi na Cova da Iria, mas nos Valinhos).

Cerca de 200 anos antes dos acontecimentos de Fátima, deu-se uma “aparição” idêntica no Cabeço da Ortiga, onde foi construída uma capela em 1758 e ainda esta segunda-feira é celebrada a Virgem, em julho.

Segundo a tradição popular, Nossa Senhora apareceu, no século XVIII, a uma rapariga muda, a quem pediu uma ovelha do rebanho que guardava. A pastorinha terá falado e respondido que não poderia dizer que sim sem a autorização do pai.

O pai, ainda de acordo com a tradição, ficou espantado com o facto de a filha falar e terá dito que sim à Nossa Senhora, que pediu à miúda que se erguesse uma capela no local, o que veio a acontecer em 1758. Quando foi ao local onde a filha disse que tudo aconteceu, encontrou uma imagem de Nossa Senhora, entre urtigas.

Em 1801, a capela recebeu o jubileu do papa Pio VII, iniciando-se nessa altura as peregrinações. Ainda hoje, a capela, que fica a dois quilómetros da igreja matriz de Fátima, recebe, em julho, centenas de pessoas em peregrinação.

António Araújo, num artigo publicado no jornal Público, em 12 de fevereiro deste ano, enumerou as visões marianas em Portugal após os acontecimentos de Fátima. No ano de 1918, registou-se um caso em Ponte de Sor e outro em Vale do Arco (Tarouca), e outro na ilha de São Miguel, nos Açores.

Em 1924, “Santa Maria Justa apareceu em sonhos a um pastor de 56 anos, em Escariz, concelho de Arouca” e 13 anos depois, em 1939, deram-se outras visões de pastorinhos, no monte da Lovagueira, em Vila Nova à Coelheira. “Que existem ‘epidemias de aparições’, para usar os termos do investigador José Barreto, autor de ensaios sobre as relações Estado-Igreja e Fátima, é um facto há muito conhecido, porventura em resultado das ‘leis da imitação’ de que falou o sociólogo Gabriel Tarde”, escreveu António Araújo.

No artigo é igualmente mencionado “o caso de uma leiteira visionária que vislumbrou a Virgem na Cova da Azenha, concelho da Feira, em 1934”.

O “Dicionário de História de Portugal”, no suplemento de 1999, refere uma “visão da Virgem por um frade franciscano, na serra de Montejunto, em 1217, registando outros casos em Carnaxide, em 1822, mas também em Baião (1938), Vilar Chão (1946), Asseiceira (1954) ou da Ladeira do Pinheiro (1970-1971).

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