Liga dos Campeões

De Lisboa com amor: a história de como o CSKA saiu da luz com três pontos

O CSKA visitou e derrotou o Benfica por duas bolas a uma, num encontro onde o clube da Luz teve tudo para vencer e deixou os russos, encostados à corda depois do 1-0, virarem o resultado.

AFP/Getty Images

Os russos do CSKA de Moscovo não se podem queixar de falta de hospitalidade do clube da Luz. O Benfica, com uma exibição muito aquém das expectativas, teve tudo para “nocautear” o adversário depois de ter chegado à vantagem aos 50′ minutos. Mas deixou a equipa visitante crescer novamente no encontro e virar o rumo da partida. O CKSA, que à exceção do Sporting nunca tinha vencido qualquer equipa portuguesa em solo nacional, junta assim uma vítima à sua lista. E o Benfica, que não perdia em casa desde o jogo contra o Nápoles, entra com pé esquerdo na Liga dos Campeões.

De resto, o CSKA entrou bem na partida e ameaçou a baliza de Bruno Varela por três vezes, através de remates fora da área. Por esta altura, já todos se perguntavam onde andava Wally, perdão, Filipe Augusto, hoje no lugar do indispensável Fejsa (ou do sempre útil Samaris). Seria sempre assim até ao final do encontro: o meio-campo defensivo do Benfica foi sempre, ou quase sempre, mais poroso que uma pedra pomes.

Benfica-CSKA, 1-2

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Undiano Mallenco

Benfica: Bruno Varela, André Almeida, Luisão, Lisandro (Rafa, 89′), Grimaldo (Gabriel Barbosa, 73′), Filipe Augusto, Pizzi, Salvio, Zivkovic, Jonas (Jimenez, 70′) e Seferovic.

Suplentes não utilizados: Júlio César, Samaris, Eliseu, Cervi

Treinador: Rui Vitória

CSKA Moscovo: Akinfeev; Viktor Vasin, Vasili Berezutski e Aleksei Berezutski; Mario Fernandes, Pontus Wernbloom e Georgi Schennikov; Aleksandr (Golovin Kuchaev, 87′) e Alan Dzagoev (Natcho, 77); Vitinho e Aaron Olanare (Zhamaletdinov, 67′).

Suplentes não utilizados: Pomazun, Ignashevich, Milanov e Chalov.

Treinador: Viktor Goncharenko

Golos: Seferovic (50’), Vitinho (63’) e Zhamaletdinov (71′)

A respeito da verdade, Filipe Augusto não foi o único ausente. Jonas, o abono da família encarnada, pouco ou mal se viu. Pizzi raramente encontrou o norte. Salvio andou perdido em lances de um contra dois, até porque André Almeida esteve mais preocupado em defender do que em explorar o corredor esquerdo dos russos. E Lisandro López continua a dar calafrios aos adeptos benfiquistas, sem o rigor que se exige a um central que chegou ao clube em 2013.

Salvou-se Grimaldo, o incansável lateral esquerdo que fez a sua estreia esta época e ainda atirou com estrondo ao poste. E Zivkovic, o único com discernimento aparente para cruzar a bola para área com algum critério. E, claro, Seferovic, o suíço que já tem mais golos marcados com a camisola do Benfica (cinco, mais precisamente) do que em cada uma das duas últimas temporadas (4 em cada uma).

O Benfica acabou por dominar praticamente todo o encontro, mas sem nunca encontrar a fórmula correta para derrubar a muralha moscovita. A partir de meio da primeira parte, os russos limitaram-se a explorar o contra-ataque e as costas da defesa benfiquista. E foi neste esquema que o jogo caminhou para o intervalo, com o nulo no marcador.

O reatar da partida trouxe um Benfica diferente, disposto a encostar o CSKA às cordas. A dupla Grimaldo-Zivkovic encontrou espaço à esquerda, com o sérvio a cruzar para Seferovic, que se antecipou à defesa russa e atirou para dentro da baliza adversária. “Está feito”, acreditavam os adeptos benfiquistas. E o filme, de facto, parecia estar contado: o CSKA, demasiado dependente do talento de Dzagoev, Golovin e Vitinho, não parecia ter argumentos para contrariar o ascendente encarnado.

“O jogo tem 90 minutos”, diria qualquer mister de bancada. E a velha máxima tem uma razão de ser. Sem nada que o fizesse prever, numa sucessão de lances em que a defesa do Benfica parecia estar a apreciar a cor das chuteiras dos adversários, o árbitro assinalou penálti por mão na bola de André Almeida. Vitinho atirou com força da marca dos 11 metros, sem hipóteses para Bruno Varela. Um igual. O cronómetro marcava 63′ minutos de jogo. Dava tempo para voltar ao jogo, só era preciso alguma concentração e ir para cima dos russos. Mas o pior ainda estava para vir.

Oito minutos depois, o-i-t-o m-i-n-u-t-o-s, Golovin levanta a bola para Vasin, qual amostra de Van Basten, recebe dentro da área e tenta o remate. Bruno Varela defende para a frente, a bola ressalta para o recém-entrado Zhamaletdinov, que não perdoa. Tudo isto perante a resistência sonolenta da equipa do Benfica.

Até ao final do jogo, nada se alterou. Os encarnados continuaram a sua travessia pelo deserto de ideias que foi toda a partida e não chegaram a assustar Akinfeev até ao final do encontro. O Benfica perde assim três pontos em casa para um adversário direto — partindo do princípio que o Manchester United corre noutra pista — e começam a Liga dos Campeões da pior forma possível: perdendo um jogo que tinham tudo para ganhar. Os russos, por sua vez, despedem-se de Lisboa com amor.

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