Centros de Saúde

Consultas de prescrição de exercício físico chegam aos centros de saúde em 2018

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Em 2018, alguns centros de saúde vão ter consultas de prescrição de exercício para utentes com obesidade, diabetes, cancro, e outras doenças. Atividade física vai ser considerada "sinal vital".

Mais de dois terços dos portugueses pratica pouco ou nenhum exercício

VIGILIO RODRIGUES/LUSA

Depois das consultas de saúde oral, no próximo ano alguns centros de saúde vão passar a ter consultas para prescrição de exercício físico. E já este ano os médicos de família vão começar a fazer perguntas para perceber o nível de atividade física dos utentes e terão um guia para lhes darem conselhos sobre atividade física a praticar.

“Vamos testar em unidades piloto consultas de prescrição de exercício físico com equipas que envolvam os médicos de medicina desportiva, outros profissionais de saúde e em colaboração com profissionais do exercício físico que trabalhem em câmaras municipais próximas, sempre que possível. A ideia é avançar em alguns agrupamentos de centros de saúde já em 2018″, avançou Pedro Teixeira, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Direção Geral de Saúde (DGS), em entrevista ao Observador.

Essas consultas com fim terapêutico estarão disponíveis “potencialmente, para todos os utentes para quem um programa de exercício físico supervisionado se justificar”. Ou seja, pessoas com diabetes ou obesidade, com problemas cardio-cérebro-vasculares, ou osteoarticulares, doenças oncológicas, entre outros.

As consultas consistirão “num processo individualizado de avaliação do utente quanto ao seu nível de atividade física, aptidão física e motivação para a prática”. Além disso, terá uma componente de prescrição de um programa de exercício (individual ou em grupo) e “identificação de recursos e profissionais de exercício na comunidade reconhecidos”, detalhou Pedro Teixeira.

Os agrupamentos de centros de saúde que integrarão os projetos-piloto serão “selecionados em função da sua experiência prévia nesta área e de estarem já mais perto de estarem preparados para efetuar esta consulta”, explicou o responsável da DGS, dando como exemplos agrupamentos de centros de saúde que tenham “protocolos com outras entidades para programas de atividade física”, que tenham “recursos profissionais vocacionados para o exercício físico e até instalações para a prática do exercício”. E garante que tem tido “informação de muitas USF nestas condições” como, por exemplo, a Academia da Saúde, na Unidade de Saúde Familiar de Oeiras.

O objetivo é promover a atividade física, uma vez que mais de dois terços dos portugueses pratica pouco ou nenhum exercício, de acordo com o último inquérito nacional alimentar e da atividade física.

Lembre-se que também a Associação Nacional de Farmácias está a trabalhar com a Associação de Fisiologistas de Exercício de Portugal para criar um serviço de aconselhamento de prescrição de exercício físico personalizado, com fisiologistas do exercício.

Farmácias preparam serviço para prescrever exercício físico personalizado

Médicos de família vão ter guia para fazer perguntas e dar conselhos aos utentes

Além destas consultas especializadas, que arrancarão no próximo ano, muito em breve os médicos de família vão ter ao seu dispor, no sistema informático, um módulo que lhes permitirá “fazer uma avaliação ao nível de atividade física do utente, colocando três perguntas: que atividades faz regularmente, quantos minutos e quantas horas passa sentado, nomeadamente a ver televisão”. “Queremos avaliar se a pessoa cumpre ou não com os 150 minutos recomendados por semana.”

Caso o utente não cumpra com as recomendações, o médico terá “opção de emitir um guia de aconselhamento para a prática de atividade física onde estará uma recomendação genérica com os benefícios da atividade física, sugestões e locais próximos para atividade física e este será o início de uma discussão com o utente sobre quais as suas atividades preferenciais, o que pode começar já, ou mais tarde”, revelou Pedro Teixeira.

A atividade física vai passar a ser considerada como um sinal vital. O médico vai passar a estar mais capacitado e vai ter também formação para isso. E isto é inovador, nunca vi nada igual no mundo. Pode até existir, mas não conheço nenhum sistema público de saúde que tenha uma ferramenta tecnológica que ajude o médico a aconselhar o utente para a atividade física”, afirmou o especialista da DGS e professor na Faculdade de Motricidade Humana.

Outra novidade é que, através da aplicação do MySNS, o utente poderá comunicar a sua atividade ao seu médico, como por exemplo o número de passos que dá por dia.

Estas medidas constarão do plano de ação de promoção da atividade física que está a ser trabalhado, mas também podem ser encaradas no âmbito do reforço dos cuidados de saúde primários. A reforma do Serviço Nacional de Saúde previa a implementação de consultas de psicologia, nutrição, oftalmologia, fisioterapia e dentista nos centros de saúde. Em julho de 2016 arrancaram as consultas de saúde oral que foram já este ano alargadas a mais centros de saúde.

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