Moda

Há um vestido feito de talheres em Manhattan e a autora é portuguesa

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Duas semanas e 443 talheres depois, Filipa Mota viu o seu vestido exposto em Nova Iorque. O Observador foi saber como é que esta estudante portuguesa de 20 anos chegou à Madison Avenue.

Filipa Mota usou quase 450 talheres para fazer um vestido. O resultado está exposto na Madison Avenue até 15 de novembro.

Quem passear pela Madison Avenue por estes dias vai tropeçar num vestido, no mínimo, diferente. Está exposto no meio da rua, não dá para experimentar, mas quem o fez fala português. E não, não foi Joana Vasconcelos. A autora chama-se Filipa Mota, tem 20 anos e mudou-se para Nova Iorque para estudar design gráfico na School of Visual Arts. Depois de dois anos de curso a desenhar em frente a um computador, viu duas peças suas chegarem à rua: um vestido e uma clutch.

“O feedback que tenho recebido é incrível. Sempre que estou ao pé da peça, pessoas que não conheço param e fazem perguntas”, conta Filipa, natural de Leiria. O vestido, bem mais complexo do que que bolsa, demorou duas semanas a fazer. Tinha de criar algo fora da caixa. Pegou num objeto vulgar e transformou-o numa obra de arte. “A primeira coisa em que pensei foi na maneira como os dentes de garfos, quando encaixados, parecem um zipper”, afirma. Aplicou a lógica ao fecho da mala e só depois foi desafiada por Kevin O’Callaghan, professor de Design 3D, conhecido por gostar de expor trabalhos dos seus alunos fora das paredes da universidade, a fazer o vestido.

Tudo começou com esta clutch. Depois de perceber que os dentes dos garfos podiam ser um fecho, Filipa usou-os como franjas de um vestido © Divulgação

De repente, os dentes dos garfos já não eram um fecho, mas sim uma franja contínua. Começou assim a caça aos talheres. Filipa Mota passou pela Ikea e por várias outras lojas de decoração, incluindo algumas de segunda mão. Nunca tinha pensado no quão difícil seria comprar quase 400 garfos. A lista de materiais não ficou por aí. A estudante de design gráfico usou ainda 59 colheres e duas conchas de sopa, cuja aplicação salta bem à vista. Em vez de desenhos em 3D, a portuguesa trabalhou numa oficina de carpintaria.

Em 28 candidaturas, Filipa foi um dos 14 alunos selecionados para expor numa das artérias mais movimentadas de Manhattan, no âmbito do One-of-a-Kind Luxury. O evento junta não só as peças de jovens talentos do design, mas também mobiliza algumas das grandes marcas com loja na Madison Avenue, entre elas Bottega Veneta, Hermès, Chopard e Dolce & Gabbana. No total, são 36 e foram desafiadas a escolher uma peça de culto que está à venda até dia 15 de novembro.

Filipa Mota tem 20 anos, é de Leiria e está no terceiro ano de Design Gráfico na School of Visual Arts, em Nova Iorque © Divulgação

A mesma data marca o final da exposição no passeio da avenida. A peça de Filipa, a única portuguesa a participar, está exposta mesmo em frente à Dolce & Gabbana de Upper East Side e a universidade já estabeleceu contactos com museus e galerias para que as criações dos aspirantes a designers continuem a poder ser vistos pelo público. Enquanto isso, a estudante portuguesa redesenha o seu futuro como designer. A experiência longe dos computadores fê-la pôr as mãos na massa e ver o design de sets de televisão, teatro e cinema com outros olhos.

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