Seleção Nacional

Como a convocatória de Portugal para o Mundial vai circular à volta de duas posições

Após os testes com Arábia Saudita e EUA, a Seleção conhece a 1 de dezembro os adversários no Mundial e regressa em março. Mais do que nomes, as dúvidas para a Rússia circulam entre duas posições.

Fernando Santos ganhou muitas opções válidas em 2017; agora, é uma questão de encaixar as peças no seu puzzle

YURI KOCHETKOV/EPA

Fernando Santos abordou de forma irónica a possibilidade de começar a ter uma lista final de 23 convocados para o Campeonato da Rússia, na antecâmara do particular com os Estados Unidos. “Pelo que tenho lido e ouvido, devemos ter uns 50 jogadores certos… É bom sinal, mostra a qualidade do jogador português e é importante pela forma como como estão em jogo e em estágio”, comentou na conferência de imprensa de antevisão.

Nesta altura, é impossível haver certezas a não ser a presença de Cristiano Ronaldo, o capitão e melhor jogador do mundo. Como o selecionador explicaria depois, há 40 jogadores com possibilidade de serem chamados, sendo que, nessa lista, 17 teriam de ficar de fora. Ou seja, quase metade. Assim, a última metade da temporada será vital para definir os 23 eleitos para a Rússia. Isso e duas posições específicas, que costumam ser as principais dúvidas dos selecionadores nestas grandes competições de curta duração: levar sete ou oito defesas (ou, neste caso, três ou quatro centrais)? Chamar cinco ou seis avançados?

No Campeonato da Europa de 2016, Fernando Santos optou por “abdicar” de um elemento mais atacante para levar quatro centrais: Pepe, Ricardo Carvalho, José Fonte (que falhou esta concentração após ter contraído uma lesão no pé que o vai afastar dois a três meses) e Bruno Alves; agora, já não há Ricardo Carvalho, mas existem Luís Neto, Edgar Ié, Ricardo Ferreira… ou nenhum: pode sempre acontecer que Danilo ou William estejam na calha para recuar para o eixo central em caso de necessidade. Mas é a partir desta dúvida que tudo gira.

Entre os mais de 50 elementos chamados à Seleção Nacional desde o Europeu, em jogos oficiais ou particulares, sete foram guarda-redes e, neste posição, não deverão existir surpresas: Rui Patrício é o indiscutível número 1; Anthony Lopes e José Sá estiveram agora nesta concentração; Beto ainda está luta por uma vaga; Eduardo, Bruno Varela e Marafona (que entretanto teve uma grave lesão no joelho) foram perdendo espaço.

Passando para a defesa, Fernando Santos tem boas notícias por razões distintas: nas laterais, passou a ter de forma natural mais opções; no centro, andou à procura de novas opções.

À direita, Cédric Soares, Nélson Semedo, João Cancelo e Ricardo Pereira estão no lote de hipóteses para duas vagas (com a vantagem, que também poderá fazer diferença, da polivalência do jogador portista, que muitas vezes sobe para ala quando entra em campo Maxi Pereira); no flanco oposto, além do já recuperado Raphäel Guerreiro e de Eliseu, Antunes e Coentrão foram chamados durante a qualificação e Kévin Rodrigues esteve nesta concentração (dos quatro, dois serão convocados); no centro, além do indiscutível Pepe, José Fonte e Bruno Alves continuam a ser chamados mas existem outras opções testadas como Luís Neto (que foi à Taça das Confederações), Edgar Ié (que teve a primeira internacionalização com a Arábia Saudita) e Ricardo Ferreira.

No meio-campo está o exemplo paradigmático de como a segunda metade da temporada terá uma grande influência nas escolhas finais de Santos. O que é bom – mostra que o leque de escolhas aumentou.

Olhando para os eleitos de 2016, se é verdade que Danilo Pereira, William Carvalho e João Moutinho estão a fazer épocas boas ao serviço dos seus clubes, André Gomes, João Mário e Renato Sanches têm jogado menos (e de forma discreta) e Adrien apenas poderá voltar em janeiro, após o imbróglio em torno da sua transferência para o Leicester. Em contrapartida, existe uma nova vaga de elementos que vão lutar por um posto como Rúben Neves (pelas suas características, uma espécie de reserva para a dupla William-Danilo), Manuel Fernandes – que foi um dos melhores jogadores com a Arábia Saudita –, Bruno Fernandes, Pizzi ou André André.

No ataque, o total eclipse de Rafa no Benfica contrasta com a exposição máxima de Bernardo Silva agora no Manchester City, enquanto a curva descendente de Nani na Lazio é antagónica ao movimento ascensional de Gonçalo Guedes no Valencia. Além destes, ainda há Ronaldo, Quaresma e Éder, que estiveram no Europeu; André Silva e Gelson Martins, que foram chamados para a Taça das Confederações; e Bruma, Rony Lopes, Nélson Oliveira e Gonçalo Paciência, que foram convocados para algumas concentrações este ano.

Também aqui, como nos restantes setores, a dúvida não está nos nomes mas sim no número de jogadores para a posição, que se poderá manter nos cinco do Campeonato da Europa de 2016 ou subir para os seis das Confederações deste ano. Uma ou outra opção, obrigará sempre a cortar no leque atual de possíveis opções.

Agora, a sete meses do Mundial, são muito mais as dúvidas do que as certezas; em março, quando a Seleção realizar mais particulares de preparação, passarão a ser mais certezas do que dúvidas; em maio/junho, acabam-se as dúvidas e ficam a conhecer-se as 23 escolhas que seguirão para a Rússia com a certeza de que lutarão “pelo máximo objetivo”, mesmo com o favoritismo atribuído às potências Brasil, Argentina, Alemanha ou Espanha.

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