Serviço Nacional de Saúde

Utentes do hospital de S. João, no Porto, indicam esperas “normais” na urgência

Nas urgências do Hospital São João, no Porto, cerca de 30 acompanhantes de doentes aguardavam há "uma ou duas horas" e falavam em demoras "normais" no atendimento.

ESTELA SILVA/LUSA

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  • Agência Lusa

Nas urgências do Hospital de São João, no Porto, cerca de 30 acompanhantes de doentes ocupavam a sala de espera ao fim da manhã de hoje, referindo que aguardavam há “uma ou duas horas” e demoras “normais” no atendimento.

“Ainda agora cheguei”, referiu Emília Serra, de 72 anos, quando questionada pela agência Lusa sobre o tempo de espera naquela unidade, explicando estar no São João há menos de uma hora com o marido de 93 anos, que acordou hoje com “falta de ar” e foi para ali transportado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Alexandra Sampaio, de 50 anos, era das poucas pessoas que abandonava as urgências daquele hospital do Porto por volta das 13:00, mas apenas por ter de “aguardar duas a três horas” pelos exames e análises à mãe, “atendida em menos de cinco minutos”.

“Nem cinco minutos demorámos lá dentro. A minha mãe foi logo atendida. Foi encaminhada pela clínica onde faz hemodiálise porque estava com problemas de falta de ar e com os brônquios atacados”, descreveu Alexandra Sampaio, que se deslocou de Famalicão para que a mãe, de 84 anos e com problemas renais, fosse observada no S. João, onde “existe o serviço de nefrologia”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, disse hoje existirem situações anómalas e graves nas urgências de alguns hospitais e a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, denunciou no sábado “o caos instalado na maior parte das urgências do país”, apelando ao Ministério da Saúde para tomar “uma atitude”.

Fonte oficial do hospital de São João, onde a Lusa constatou um ambiente tranquilo junto às urgências, disse hoje não ter comentários a fazer sobre esta matéria.

Filipe Toga, de 39 anos, tem o pai na urgência daquele hospital desde sábado porque o sexagenário “teve uma recaída da operação feita a um tumor em outubro”.

“Correu tudo dentro do normal no atendimento. As análises é que demoraram mais. Já fui a casa e voltei. O meu pai continua nas urgências porque vai ter de repetir as análises. Tanto quanto percebi, depois da triagem, a média de espera é de duas horas”, descreveu.

Filipe Neves, de 32 anos, acompanhou esta manhã a sogra de 68 anos àquele hospital do Porto devido a uma “gripe”.

“Não sei se não será pneumonia”, observou.

O jovem deslocou-se de Valongo e admitiu que podia ter recorrido ao centro de Saúde de Ermesinde, mas entendeu “que não se adequava”.

“Uma coisa é medicar. Outra é poder fazer análises ou raio-X. No centro de saúde apenas podem medicar. Veio direta para cá. Está há quatro dias sem melhorar”, justificou.

Susana Coelho, de 46 anos, aguardava “há uma hora” pelo marido que transportou para o São João devido ao que lhe pareceu ser “uma amigdalite”.

Optou pelo hospital porque vive na Maia e “ao domingo o centro de saúde não funciona”.

Há duas horas esperava Sílvia Almeida, de 38 anos, pelo “marido diabético” que “não conseguia respirar” e que “entrou logo” para a urgência.

Teresa Silva, de 65 anos, chegara ao São João há menos de uma hora quando falou com a agência Lusa.

“Vim com o meu marido, de 87 anos, que está com diarreia. Foi logo para dentro, mas não sei se já foi atendido”, afirmou.

Elisabete Teixeira, de 29 anos, aguardava “há 15 minutos” por novidades do pai, de 52 anos, que foi encaminhado para o ‘São João’ pelo hospital de Felgueiras.

“Está desde ontem a injeções mas não melhorou. Tem as glândulas infetadas”, descreveu.

José Costa levava quase quatro horas no ‘São João’, mas alertou que “na semana passada foram sete horas de espera”, também pela mulher, que “tem problemas de hérnias discais e passou mal a noite”.

O presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) negou hoje casos de “caos” ou “alarmismo” nos hospitais da região, garantindo que “todos” funcionam “com absoluta normalidade” e “capacidade de resposta” a uma maior procura nas urgências.

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