Quer entender o mundo? Use a Globalstat

31 Maio 2015782

Fique a conhecer uma ferramenta única para o ajudar a fazer sentido do mundo em que vivemos. É portuguesa, é gratuita e está disponível 24 horas por dia.

São centenas de milhares de dados estatísticos organizados em 500 indicadores diferentes, provenientes de 80 fontes de informação, cobrindo dados desde 1960 para 193 países. É uma fotografia panorâmica do mundo, constantemente atualizada e sempre disponível para ajudar a entender o planeta e as consequências da globalização. O nome GlobalStat é por isso apropriado. A lógica desta imensa base de dados global é a de ajudar a explicar o mundo de forma gratuita, fácil e intuitiva. Por isso está organizada em 12 áreas temáticas e três áreas transversais que facilitam a consulta dos dados e ajudam a traçar explicações para o mundo.

Como nasceu a Globalstat?

A GlobalStat nasceu de uma vontade de “ir para lá do PIB”, procurando reunir números que ajudem a explicar as assimetrias entre países e regiões do Globo em categorias e índices que vão muito para lá dos indicadores apenas económicos. É uma reunião de esforços entre duas entidades, o Instituto Universitário Europeu (IUE) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

Miguel Poiares Maduro, hoje ministro adjunto e do desenvolvimento regional, foi diretor de Governança Global no IUE. E foi nessa qualidade que desafiou uma estudante de doutoramento a desenvolver a ideia de uma base de dados da globalização que fosse para lá do PIB – essa estudante era Gaby Umbach, que se veio a tornar na primeira diretora da Globalstat. Com a experiência acumulada da Pordata, a FFMS era um parceiro muito interessante para o desenvolvimento deste modelo – e graças ao entusiasmo do anterior e atual presidentes da fundação portuguesa, António Barreto e Nuno Garoupa, a parceria concretizou-se mesmo.

Depois de muitos meses de trabalho conjunto, a GlobalStat foi apresentada ao mundo em Florença, na sede do IUE, em plena comemoração do Dia da Europa. E foi desde logo elogiada e recomendada por representantes da União Europeia, que se comprometeram a contribuir para o crescimento e desenvolvimento da ferramenta. Isso é importante porque o objetivo não é ficar pela apresentação de informação estatística: os próximos passos incluem ajudar a desenvolver soluções que permitam entender melhor os dados e as suas consequências.

Como usar a Globalstat em cinco passos

Três cliques separam o utilizador de mais 80 fontes de informação cobrindo dados desde 1960 para 193 países, num total de 500 indicadores. Para conseguir os dados e divulgá-los para o público em geral, a Fundação Francisco Manuel dos Santos e o Instituto Universitário Europeu receberam a contribuição de diversas entidades internacionais como a Eurostat, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Legatum Institute, o Fund for Peace, a Organização Internacional do Trabalho, o Fundo Monetário Internacional, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a Sustainable Society Foundation, a Transparência Internacional, as Nações Unidas e o Banco Mundial.

A esta diversidade de dados é agregado um conjunto de metadados responsáveis por explicar os conceitos, metodologia adotada pelas fontes originais, operação estatística para produzir os dados e a sua relevância, de modo que o utilizador possa entender a importância daquela base de dados. Neste sentido, a experiência do Instituto Universitário Europeu e da Fundação Francisco Manuel dos Santos com ferramentas estatísticas online – onde se destaca a Pordata – foram importantes para o desenvolvimento da Globalstat.

Curioso para utilizar a ferramenta? Explicamos em cinco passos como ter acesso às fontes de informação da página.

1) Escolha um tema, um subtema e um indicador

A Globalstat está dividida em 12 áreas temáticas: demografia, desenvolvimento económico e comércio, energia e recursos naturais, meio ambiente, atividades financeiras e estrutura, alimentação, comida e pesca, liberdade, conflitos e risco, governo, saúde e condições de vida, desenvolvimento humano e social, mobilidade humana e desenvolvimento tecnológico.

Cada um destes temas possui outros subtemas contextuais, que permitem filtrar ainda mais a informação. Num terceiro nível é possível escolher qual é o indicador que melhor responde à questão a ser consultada. Há ainda três áreas transversais que reúnem dados de duas ou mais bases de dados: tendências globais, vida sustentável e prosperidade das nações e bem-estar humano

É através desta relação entre temas, subtemas e indicadores que a Globalstat consegue oferecer de maneira tão ampla os dados sobre diversos aspetos da vida social, cultural, política, económica e ambiental da população mundial. Um exemplo: como saber a proporção em percentagem da população que utiliza Internet em todos os países? Basta clicar no tema “Technological Development”, escolher o subtema “Information & Communication Technologies” e, por fim, selecionar o indicador “Internet users, per 100 people”.

Os três parâmetros encontram-se do lado esquerdo da página.

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Menu com o tema, subtema e indicadores da Globalstat

2) Selecione dados específicos

Seguindo o exemplo acima, e se o utilizador quisesse saber apenas qual é a proporção em percentagem da população que utiliza Internet por continente (e não por países) em 2013? Para isto, existe a opção “Select Data”.

Ela está dividida em dois parâmetros: anos e países e grupos. As bases de dados da Globalstat compreendem um intervalo temporal até o ano de 1960. No entanto, como cada tema e subtema tem as suas próprias características, é possível que o intervalo varie consoante os parâmetros escolhidos.

No caso apresentado, o utilizador deve clicar no separador “Country & Groups”, escolher a opção “Continent or Group” e selecionar todos os continentes. Em seguida, no separador “Years”, deve escolher o ano “2013” e clicar no botão “Update”.

continente_grupos

Menu com os parâmetros “Countries and Groups” e “Years”

3) Visualize e guarde os dados

Há quatro maneiras de visualizar os dados de uma pesquisa: através de uma tabela, ranking, gráfico de barras verticais ou gráfico de linhas. Cada uma das opções tem as suas vantagens e limitações, de acordo com os dados resultantes da pesquisa realizada. O utilizador pode experimentar os quatro formatos na barra horizontal superior da página.

É de salientar, no entanto, que de acordo com a pesquisa, uma ou mais opções podem estar desativadas por não possuírem os dados mínimos necessários para gerar a visualização.

Tabela, ranking e gráfico de barras verticais aplicados ao

Tabela, ranking e gráfico de barras verticais aplicados à proporção em percentagem da população que utiliza Internet por continente. O gráfico de linha não estava disponível para esta base de dados por não conter os parâmetros necessários.

Ainda na barra superior, um pouco mais abaixo, no ícone “i”, é possível consultar os metadados do indicador, como conceito, fonte e observações. Caso queira exportar o resultado da pesquisa, há duas opções: como tabelas, no formato de folhas de cálculo, ou como imagens no caso dos rankings e gráficos.

4) Partilhar nas redes sociais

O resultado final da pesquisa do utilizador pode ser enviado por email para outras pessoas, a partir de um link gerado pela ferramenta na opção “Share” na barra superior horizontal. Outra opção é partilhar a visualização através do Facebook, Twitter e Google Plus.

janela_partilhar

Janela para partilhar a pesquisa nas redes sociais

5) Resumo rápido de dados sobre um país

É possível fazer uma pesquisa rápida sobre um país, com o resumo dos seus principais dados demográficos e económicos, em oito indicadores prefixados. O resultado é mais imediato, uma vez que não é necessário recorrer aos parâmetros localizados no lado esquerdo da página. No entanto, o resultado não permite a personalização dos indicadores e anos apresentados, sendo os mesmos para qualquer um dos 193 países selecionados.

Para obter este resumo rápido, basta escolher a opção “World ID” na página inicial da Globalstat, no canto inferior central. Em seguida, é só escolher o país ou continente que deseja consultar.

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Exemplo do “World ID” de Portugal

No vídeo abaixo, Joana Martins, coordenadora da Globalstat, explica estes cinco passos:

Alguns exemplos práticos

O Observador testou a ferramenta Globalstat para verificar a sua aplicabilidade como instrumento de compreensão da globalização. O objetivo é trabalhar com um dos principais eixos do projeto: a temporalidade. Como projeto capaz de reunir dados de diferentes parâmetros a partir de 1960, é possível estabelecer comparações importantes para entender como o mundo evoluiu ao longo dos anos.

Comecemos pelo exemplo referente à densidade demográfica, medida que representa a relação entre a população e a superfície do território de um país. Este valor tem servido como parâmetro para o planeamento dos espaços sociais, no que diz respeito ao dimensionamento da infraestrutura e serviços públicos e à alocação de recursos para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes de uma região.

Os mapas abaixo comparam a densidade demográfica nos anos de 1963 (à esquerda) e 2013 (à direita). Na parte superior há uma escala de cores que representa a variação de valores. Mova lateralmente o cursor localizado no meio das imagens para contrastar os resultados.

Em 1963, a Mongólia (em verde escuro) era o país com a menor densidade demográfica, com 0,67 pessoas por quilómetro quadrado, seguida da Namíbia (0,79), Líbia (0,90), Mauritânia (0,91) e Botswana (1,00). Na Europa, o país com o valor mais baixo em 1963 era a Islândia, com 1,85 habitantes por quilómetro quadrado. Comparativamente, a densidade demográfica de Portugal em 1963 era de 98,69 pessoas por quilómetro quadrado.

No outro lado da escala de valores, Mónaco com 11.584,50 liderava o ranking neste parâmetro com quase cinco vezes mais habitantes por quilómetro quadrado que o segundo lugar, Singapura (2.679,10). Em seguida, aparecem Malta (1.007,97), Barbados (543,07) e Bangladesh (414,14).

E o que mudou em 50 anos? A África deixou de ser o quarto para tornar-se o segundo continente em densidade demográfica, saltando de 10,41 para 39,25 habitantes por quilómetro quadrado como valor médio. A Europa aparece como terceiro continente mais populoso (de 27,81 a 33,45), seguida pela América, que supera o dobro do seu valor em 1963 (de 11,57 a 25,08).

Os extremos da tabela seguem a mesma tendência. A Ásia passa de 57,69 a 137 habitantes por quilómetro quadrado em 50 anos, enquanto a Oceania vai de 2 a 4,53 habitantes por quilómetro quadrado no mesmo período de tempo.

Entre os países, o top 5 permanece praticamente o mesmo: Mónaco (18.915,50), Bangladesh (1.203,00), Malta (1.322,76), Bahrain (1.752,86) e Singapura (7.713,14). Do outro lado do ranking, a Mongólia fecha a lista (1,83), seguida da Namíbia (2,80), Austrália (3,01), Islândia (3,22) e Suriname (3,46).

Aprofundando a pesquisa

Ainda sobre a questão da distribuição espacial da população nos países, vamos utilizar a base de dados referente à percentagem da população rural em comparação ao total da população, de modo a entender como se deu o fluxo de pessoas em relação ao território. Novamente, iremos contrastar os resultados nos anos 1963 e 2013 para descobrir quais são os sete países com os maiores e menores valores.

Tanto em 1963 quanto em 2013, Mónaco e Singapura aparecem com valor nulo em percentagem de população rural em comparação à população total. Isto se explica pela natureza única destes países, uma vez que Singapura é uma cidade-estado e Mónaco é um principado, ambos com áreas territoriais diminutas.

Em 1963, apenas 7,17% da população da Bélgica vivia no espaço rural. Seguem-lhe Malta (10,05%), Qatar (13,50%), Austrália (17,27%) e Bahrain (17,63%). Em 2013, o Qatar assume o menor valor registado, com 0,94%, e o Kuwait aparece em segundo lugar, com 1,69%. A continuação aparecem Bélgica (2,22%), Malta (4,86%) e Uruguai (5,02%).

Vejamos agora os valores mais altos da base de dados.

Em 1963, quatro dos setes países com maior população rural encontravam-se na África, enquanto os outros três estavam no continente asiático. Lideravam o ranking Botsuana (96,83%), Ruanda (97,23%) e Burundi (97,81%).

Já em 2013, Trindade e Tobago, na América Central, é o país com a maior taxa de população rural em relação à população total, com 91,33%. Em seguida, estão Burundi (88,53%), Papua Nova Guiné (87,02%) e Liechtenstein (85,67%).

Comparativamente, a população rural de Portugal em relação à população total diminuiu quase pela metade em 50 anos, passando de 63,90% em 1963 a 37,66% em 2013.

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