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“O que mais me marcou foi tudo ter acontecido no sítio onde agora está o museu”, conta Bruno Simões. O Observador desafiou o cidadão português, que trabalha em Nova Iorque há três anos, a ir visitar o museu dedicado ao 11 de setembro de 2001, que abriu ao público na passada quarta-feira. Da visita, Bruno Simões partilhou palavras, fotografias e vídeos.

“Foi a primeira vez que vi tudo pronto.” Bruno Simões já tinha estado no 9/11 Memorial, um tributo aos cerca de três mil mortos, inaugurado dez anos depois de as Torres Gémeas situadas na baixa de Manhattan, terem colapsado devido ao embate de dois aviões num ato terrorista. Agora, teve oportunidade de ver, também, a Freedom Tower concluída, um prédio com 500 metros de altura que substitui o World Trade Center.

A parte superior do 9/11 Memorial Museum, a da entrada, é pequena, assim como o nível intermédio, mas a sala da exposição é enorme com um pé direito muito alto, tudo abaixo do nível da rua. “O museu é muito espaçoso. Tem um espaço amplo, com os objectos maiores, e no meio uma sala mais pequena.”

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Vídeo cedido por Bruno Simões

A sala ampla é mais leve e iluminada, o espaço no centro é mais escuro, “mais forte e mais intenso”, conta Bruno Simões. O espaço, de pé direito mais baixo, é labiríntico, com muitos recantos onde se vão contando as histórias das pessoas e dos momentos. Inclui também uma linha temporal para os acontecimentos daquele dia.

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Bruno Simões lembra alguns dos objetos mais pessoais que existem nesse espaço, onde fotografar é proibido, como uma mochila: depois de sentir o primeiro abalo no edifício, o dono da mochila só teve tempo de pegar nela e fugir, o edifício ruiu logo após ter conseguido sair. Estão em exposição sapatos e outros objetos oferecidos por quem tinha conseguido escapar. E, também, testemunhos audio e vídeo dos sobreviventes.

Em alguns recantos há projeções vídeo, noutro figuram fotografias das pessoas que saltaram dos edifícios. Impedidas de sair porque os aviões que embateram nas torres bloquearam todas as saídas, optaram por saltar pelas janelas. Este recanto conta as histórias dessas pessoas, refere Bruno Simões, como a senhora que, mesmo saltando para a morte, ainda segurava a saia para se manter composta. Outro testemunho é o de alguém que as viu saltar. Era horrível o que estava a ver, mas continuar a olhar era a única maneira de prestar uma última homenagem àquelas pessoas.

“O ambiente é super pesado, é tudo muito forte”, descreve Bruno Simões.

“Eu não estava em Nova Iorque nessa altura, mas se estivesse ia ser mais intenso”, admite Bruno Simões, referindo-se às emoções que o espaço desperta. “O ambiente é super pesado, é tudo muito forte.” Por causa disso, em algumas zonas existem lenços disponíveis para os visitantes. “Não é só um museu, é um memorial, é quase como ir a um cemitério.”

Apesar de toda a carga emocional, o museu continua a ser um espaço eminentemente turístico. Os familiares das vítimas e pessoal que esteve envolvido nas operações de socorro teve oportunidade de visitá-lo, mediante marcação, depois da inauguração oficial pelo Presidente Barack Obama, a 15 de maio. Foram 24 horas por dia, durante cinco dias, para que pudessem apreciar o momento tranquilamente e a sós, se assim o desejassem.

Para Bruno Simões, as secções que lhe despertaram menos interesse foram a parte final, que falava do que aconteceu depois de 11 de setembro, assim como a história da Al-Qaeda, desde a formação do grupo até ao plano de ataque aos Estados Unidos. Com o cansaço acumulado pelas duas horas de visita, aquelas temáticas não o conseguiram cativar.