Francisco Assis, que foi eleito eurodeputado por ter sido o cabeça-de-lista às europeias, defendeu no congresso do PS de 2011, que elegeu Seguro como sucessor de José Sócrates, a realização de eleições primárias. Assis, que era candidato à liderança contra António José Seguro, apresentou uma moção ao congresso onde defendia que o PS devia optar por um sistema de eleições primárias abertas à sociedade na escolha dos seus candidatos a cargos políticos, sobretudo a primeiro-ministro.

Já em 2013 foi a vez de João Tiago Silveira, apoiante agora de António Costa, defender a mesma possibilidade, garantindo que o grupo de militantes que fazia a proposta não queria disputar a liderança de António José Seguro. A lista de militantes era encabeçada por Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores. Esta intenção do grupo de militantes, aconteceu no congresso da unidade. Ou seja, no congresso do PS de Abril de 2013, depois das negociações entre António Costa e António José Seguro para uma unidade do partido em todos os órgãos.

Seguro retoma agora a intenção de fazer primárias o que está a deixar os apoiantes de António Costa a acusar o secretário-geral de estar a fazer um golpe de secretaria. Ou seja, com esta proposta, que Seguro quer que seja aprovada em comissão política nacional – o órgão intermédio entre a direção e a a comissão nacional, órgão máximo entre congressos -, empurra para daqui a uns meses a possibilidade de o partido escolher o candidato a primeiro-ministro. Isto porque o secretário-geral propôs também a realização de eleições nas federações. Dizem costistas que Seguro está assim a ganhar tempo e a protelar uma disputa para depois do verão, a um ano das eleições legislativas ordinárias.

Para que o partido possa ir para eleições primárias são necessárias alterações aos estatutos do partido. Do lado de António José Seguro, é defendido que esta alteração pode acontecer em comissão política, desde que esta seja mandatada pela comissão nacional. Do lado de Costa, defendem que isso não é possível, uma vez que o único órgão do partido com mandato para alterar os estatutos do partido é o congresso nacional.

Por isso, tal como escreveu o Observador, os apoiantes de Costa estão a recolher comissários (membros da comissão nacional) para proporem nova reunião em que seja discutida a possibilidade de um congresso extraordinário. Esta possibilidade não foi discutida na comissão nacional do partido porque foi exigida unanimidade na votação.