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Mesmo para os maiores amantes de animais, ter em casa moscas, melgas e mosquitos não será propriamente a companhia mais agradável. De mata-moscas na mão, perseguem-se avidamente os insetos voadores. Essa perseguição pode agora dar ainda mais frutos. O Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa, convida todos os cidadãos a apanhar mosquitos. “Dez milhões de cidadãos ativos superam largamente a eficiência de todos os entomologistas de Portugal. Se encontrar um mosquito em casa, em qualquer outro local, ou detetar alterações na atividade destes insetos, capture-os e envie-nos”, lê-se na página dedicada ao projeto mosquitoWEB.

A recolha dos mosquitos permitirá ao instituto detetar a presença de espécies exóticas no nosso país, em particular os mosquitos que transmitem doenças como a dengue, a malária ou a febre-amarela. Os mosquitos, como o mosquito-tigre (Aedes albopictus) e o mosquito-da-febre-amarela (Aedes aegypti), têm um estilete longo – o aparelho bucal com funções sugadoras -, e são vulgarmente chamados “melgas” pela população.

Se já se está a imaginar de mata-moscas na mão, terá de arranjar uma alternativa: os mosquitos não podem chegar ao instituto esmagados. Folhas de papel à mão, porque dá sempre jeito para apanhar os mosquitos caídos, um frasco ou copo de plástico, e uma dose de destreza para conseguir apanhar os insetos no momento certo. Em opção pode usar pequenas doses de inseticida. Depois é só congelar durante uma hora e está pronto para ser enviado, sem que isso tenha qualquer custo para o cidadão-cientista. Além disso, qualquer pessoa pode indicar no site onde encontrou mosquitos, mesmo que não os tenha apanhado.

A dengue, malária e febre amarela são doenças transmitidas por insetos sugadores de sangue frequentes nos países tropicais, mas com o aumento da temperatura global a ameaça em Portugal é crescente. Recorde-se o surto de dengue na Madeira que afetou mais de 2000 pessoas, em quatro meses, desde outubro de 2012. Há o risco de que esta alastre para o continente, pelo que o IHMT quer estar alerta.

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