A vontade de incorporar na sua oferta um serviço de transmissão de música não é de agora, e o Twitter até já tinha tentado a sua própria aplicação – Twitter Music -, que não teve sucesso e foi fechada em março. Mas agora o assunto torna-se mais sério, com o Financial Times a avançar esta quinta-feira que aquela rede social já ponderou acordos bilionários nas suas tentativas de adquirir uma plataforma digital de música. Depois do Soundcloud, o Spotify pode estar na mira.

O objetivo, diz o FT citando fontes próximas ao processo, é aumentar o tempo que os utilizadores passam naquela rede social e assegurar novas fontes de rendimento. A linha de crescimento do número de utilizadores do Twitter abrandou significativamente no último ano, o que tem deixado a empresa debaixo de fogo. E o anúncio, feito no final de maio, de que a Apple acabava de comprar a Beats Electronics (que além dos auscultadores também lançou recentemente um serviço de subscrição musical) também obrigou o Twitter a pôr o pé no acelerador.

O primeiro rumor surgiu em meados de maio, quando o Recode sugeriu que o Twitter estava a considerar comprar o Soundcloud, a plataforma de música sediada em Berlim que permite aos músicos fazerem o upload das suas próprias faixas, avaliado em 700 milhões de dólares. Houve negociações mas não demorou muito até o Wall Street Journal avançar que não tinham chegado a bom porto. Problema: os números ($). É que, segundo o FT, não houve consenso interno sobre a rentabilidade da publicidade áudio, além de que persistiam receios em torno dos direitos de autor.

Até hoje, a aquisição mais cara do Twitter foi o MoPub, serviço de publicidade para telemóvel, comprado em setembro por 300 milhões de dólares.

Mas os esforços continuam, e o número dois do Twitter, Ali Rowghani, mantém-se firme na ideia. Depois das tentativas de acordo com o Soundcloud, o Financial Times garante que o chefe de operações do Twitter também está a considerar avançar para o Spotify, o serviço de streaming de música avaliado em 4 mil milhões de dólares. Para este caso, no entanto, fontes próximas ao processo garantiram ao FT que as negociações ainda não começaram.

*nota do diretor: esta manhã, na newsletter 360º, falei do Soundhound e não do Soundcloud, como aqui – bem – se descreve. Fica a correção, para os leitores atentos.