Vítor Gaspar já se instalou sua nova casa, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, e já deu a primeira entrevista ao site da instituição, como responsável pelo departamento dos assuntos orçamentais. Depois de explicar o percurso profissional, o ex-ministro das Finanças explicou como a demografia do mundo afeta cada país e de como o FMI é fundamental na assistência técnica aos países. No final, disse que gostava de fazer desporto e de jogar ténis nos tempos livres.

Usou uma gravata às bolinhas e assim que a entrevistadora Gita Bhatt, do departamento de comunicação, lhe disse “bem-vindo ao Fundo”, Vítor Gaspar sorriu e respondeu: “É bom estar aqui”. Seguiram-se seis perguntas com o intuito de apresentar o português que “ocupou altos cargos” e que foi, inclusivamente, “ministro das Finanças durante um período crítico”.

Depois de desfiar o currículo desde a década de 1980 e de mencionar os organismos portugueses e europeus por onde passou, o ex-ministro das Finanças afirmou estar concentrado no próximo “desafio”. O de “liderar um reconhecido centro internacional de finanças públicas por excelência”, disse. Quanto à sua opinião sobre o FMI e os seus funcionários, Gaspar lembrou que, já no final da década de 1980, tinha tido a oportunidade de trabalhar na instituição. Era um “jovem economista”, mas ficou com a “percepção de um excelente ambiente de trabalho” e útil “para os economistas crescerem”.

Por outro lado, lembrou, também lidou de perto com o FMI enquanto ministro das Finanças em Portugal, entre 2011 e 2013.

“Lidei mais com o pessoal do departamento europeu para os assuntos orçamentais” a propósito do pedido de ajuda financeira. “Mas também pedimos ajuda técnica”, disse. “Os resultados foram imediatamente visíveis na nossa capacidade de aumentar a recolha de impostos e controlar a despesa”.

Confrontado com os principais desafios da economia a nível global, o ex-governante afirmou que há diferentes desafios, mas destacou a questão demográfica. “O mundo está em transição para uma situação de estabilidade ou mesmo de declínio da população. E isso tem uma grande influência nas finanças públicas”, disse.

Para muitos países, acrescentou, “o desafio é combinar a redução da dívida com o crescimento e a criação de emprego”. E referiu que o departamento “já está a trabalhar nesta matéria e a procurar ligações entre a política fiscal e o desemprego”. Vítor Gaspar falou ainda nas dificuldades das economias emergentes “por causa das condições de financiamento externo e do lento crescimento” para, a seguir, referir-se ao problema dos “países cujo crescimento assenta em créditos bancários”.

E quanto a prioridades? “Terei uma melhor resposta daqui a alguns meses”, respondeu. Mas acabou por referir que a prioridade do departamento que vai dirigir “é promover serviços de alta qualidade aos estados” e “continuar a dar assistência técnica”. Neste momento, diz, cerca de 100 países beneficiam de assistência técnica.

Só a última questão colocada por Gita Bhatt foi mais pessoal. O que gosta de fazer nos tempos livres? Vítor Gaspar respondeu que gosta de passar tempo com a família, ler, ouvir música, ir ao ginásio e jogar ténis.