Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Na apresentação da candidatura às eleições primárias para a escolha do candidato do PS a primeiro-ministro, Antóni0 Costa quis traçar a sua linha ideológica: com o autarca de Lisboa, o Governo será “à esquerda”. Pelo menos foi isso que prometeu. Em frente a uma plateia  de mais de mil pessoas, no Tivoli em Lisboa, o candidato defendeu: “O país precisa de um dia conseguir vencer os tabus e conseguir fazer um diálogo alargado à esquerda, que seja construtivo, que não sirva só para fazer oposição aos governos de direita. Nunca fechei a porta e nunca fecharei essa porta”, rematou.

Mas para isso, primeiro, o trabalho tem de ser feito no PS. Lembrando os resultados das últimas eleições europeias, o autarca de Lisboa que se disponibilizou para liderar o PS depois disso, criticou a postura de Seguro, sem nunca referir o atual secretário-geral do partido. Disse Costa que

“quem se conforma com uma vitoria pequenina é porque já se conformou que não vai fazer a diferença e a mudança”.

E por isso o PS é neste momento um partido “fraquinho”, tal como os partidos da maioria. E para que um Governo à esquerda seja possível “não basta ter a porta aberta porque quem não quer entrar, nao vai entrar. Só com um PSforte poderá haver um diálogo à esquerda. E nunca haverá enquanto houver um PS fraco”, rematou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As palavras foram ditas em frente a dois ex-secretários-gerais do partido: Ferro Rodrigues e Mário Soares. E foi a olhar para eles que lembrou que os portugueses “pediram ao PS que lhes dê um pouco mais, um suplemento de confiança, uma energia motivadora, que agregue a maioria que já disse que não quer este Governo e esta política”.

Ora, para António Costa é essa “capacidade agregadora que o PS não tem tido e precisa de ter”. É preciso um “motor mobilizador das energias do país e organizar o diálogo político e a concertação social, a contratação coletiva de modo a mobilizar os portugueses”.

Mexer na lei eleitoral é jogada “de secretaria”

António José Seguro apresentou a proposta exatamente no rescaldo das eleições europeias, que levaram Costa a disponibilizar-se para liderar o PS. Seguro prometeu apresentar até ao início da próxima sessão um projeto de alteração à lei eleitoral para a Assembleia da República reduzindo para 180 o número de deputados. E a esta ideia, António Costa diz “não”. Na apresentação da candidatura às eleições primárias para a escolha do candidato do PS a primeiro-ministro, António Costa, depois de defender um diálogo à esquerda, disse:

“O debate à esquerda faz-se pelas ideias, pelo combate político, como Mário Soares fez em 1974, não se faz na secretaria alterando à pressa a lei eleitoral”.

“Não podemos aceitar um sistema eleitoral que não garanta a proporcionalidade”, reforçou.

Num discurso de 45 minutos, no Tivoli em Lisboa, Costa passou pelas várias áreas da governação defendendo desde a Educação ao Serviço Nacional de Saúde, mas não esquecendo as áreas de soberania. Passou ainda pelos temas europeus, dizendo que é preciso um Governo que defenda os interesses do país.