Seis em cada dez economistas consultados num inquérito realizado pela Bloomberg acreditam que a Grécia vai necessitar de um terceiro resgate, depois de ter já ter recebido empréstimos da troika no valor de 240 mil milhões de euros desde Maio de 2010. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que Atenas venha a necessitar de uma ajuda de 12,6 mil milhões de euros em 2015 com o objetivo de preencher necessidades de financiamento que ainda não estão garantidas.

“A capacidade da Grécia para gerar receitas que cubram as necessidades não é suficiente” afirmou Gianluca Ziglio. O diretor executivo da Sunrise Brokers, em Londres, acrescentou que os parceiros europeus do país “terão que surgir com algo que supere” as lacunas de financiamento que a Grécia enfrentará “até conseguir restabalecer o acesso regular aos mercados”.

A Bloomberg recorda que as obrigações do Tesouro gregas registaram valorizações no mercado secundário e que este desempenho permitiu a Atenas a emissão, com sucesso, de dívida a três e cinco anos, num valor total de 4,5 mil milhões de euros. A taxa de juro implícita nas obrigações a dez anos caiu para a média de 5,59% em junho, depois de terem atingido o recorde histórico de 44,21% em março de 2012.

Ainda assim, os economistas não creem que a Grécia venha a recuperar a soberania orçamental “antes de dois anos”, afirma Michael Michaelides, do Royal Bank of Scotland. Os dados da Comissão Europeia indicam que a dívida pública deverá atingir 177% do produto interno bruto (PIB) em 2014 e o saldo primário das contas públicas foi positivo em 0,8% do PIB em 2013.

O “buraco” nas necessidades de financiamento da Grécia será um dos temas das reuniões que estão previstas para setembro entre representantes da troika e as autoridades de Atenas. Uma das soluções possíveis é a utilização de 11,5 mil milhões de euros que sobraram dos fundos disponibilizados pelos credores internacionais para proceder à recapitalização dos bancos gregos, afirmou Lefteris Farmakis, analista do Nomura International.