A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu este sábado ajuda urgente no combate à fome na Somália e no Sudão do sul.

No caso da Somália, mais de 350.000 pessoas necessitam de ajuda alimentar urgente na capital Mogadíscio, fruto da instabilidade vivida na zona, o que a ONU considera uma situação alarmante que atinge outras regiões do país.

“A situação alimentar piorou com a ameaça da seca em algumas zonas da Somália”, refere um relatório da agência da ONU para a coordenação da assistência humanitária.

“As organizações não governamentais são incapazes de responder às necessidades de mais de 350.000 pessoas deslocadas em Mogadíscio”, aponta o relatório, que detetou “taxas alarmantes de desnutrição” na capital do país que tem sido alvo de ataques de insurgentes islâmicos Shebab.

Este alerta acontece três anos depois da vaga de fome que assolou o país em 2011 e provocou a morte de 250.000 pessoas, metade das quais crianças com idades inferiores a cinco anos.

Também o programa alimentar mundial (PAM), da ONU e da Unicef, apelou hoje ao reforço rápido da ajuda ao Sudão do Sul para evitar a fome no país, devastado pela guerra, onde um terço da população está ameaçada pela falta de alimentos.

Quase um milhão de crianças com idades inferiores aos cinco anos sofrem de desnutrição aguda, adiantam o PAM e a Unicef, num comunicado divulgado após uma visita de funcionários de ambas as entidades ao Sudão do Sul.

A PAM e a Unicef “temem que o mundo permita uma repetição do que aconteceu na Somália e no Corno de África há três anos: as primeiras advertências contra a fome e aumento da desnutrição foram amplamente ignoradas até que o nível de fome foi oficialmente declarado”.

Os dois organismos alertam que se nada for feito em breve, cerca de 50.000 crianças podem morrer de fome este ano.

“O mundo não deve esperar até que a fome seja (oficialmente] anunciada, quando morrem crianças todos os dias”, afirmou o diretor-geral da Unicef, Anthony Lakee.

“Se queremos expandir rapidamente as nossas operações e salvar mais vidas, precisamos de mais recursos e que a comunidade internacional aja agora”, acrescentou o diretor executivo da PAM, Ertharin Cousin.

Na sexta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas afirmou que a situação alimentar no Sudão do Sul era agora “a pior do mundo” e pediu aos países doadores que tinham prometido, em maio, pagar mais de 618 milhões de dólares (cerca de 460 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) na conferência de Oslo, para cumprirem os seus compromissos.

A guerra civil que começou em meados de dezembro no Sudão do Sul, país criado em 2011, após décadas de conflitos em Cartum, foi marcada por massacres étnicos, provocou milhares de mortes e expulsou das suas casas mais de 1,5 milhões de sul-sudaneses.