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Os países da União Europeia chegaram a acordo para sanções mais severas à Rússia por este país não ter feito o suficiente para baixar a tensão na crise ucraniana. A decisão resultou de uma reunião entre os embaixadores dos 28, em Bruxelas, na qual analisaram a proposta legislativa da Comissão Europeia para tornar efetivas as medidas restritivas. Na terça-feira à noite, também a administração norte-americana tomou decisões no mesmo sentido, numa iniciativa coordenada sem precedentes nos últimos anos, condenando o papel de Putin no conflito da Ucrânia.

Os alvos vão ser os setores-chave da economia russa. “É precisamente porque não observámos uma mudança estratégica de Putin que acreditamos ser essencial tomar medidas adicionais”, disse Tony Blinken, vice-conselheiro nacional de Segurança dos Estados Unidos.

A Europa, que tem uma ligação comercial diferente com a Rússia, e que por isso teme repercussões na sua economia, parece finalmente querer soltar-se das amarras e estar pronta para assumir um pulso mais firme perante o país do leste. O porta-voz do primeiro ministro inglês David Cameron confirmou que a União Europeia deverá recorrer a “um pacote de sanções mais forte o mais rápido possível”. Também François Hollande, o presidente francês, afirmou que os líderes do Ocidente “lamentam que a Rússia não tenha pressionado os separatistas para uma negociação”. Hollande disse ainda que os europeus esperavam “medidas concretas por parte da Rússia para garantir o controlo da fronteira” com a Ucrânia.

Barack Obama esperou o anúncio europeu para revelar o seu próprio plano de sanções, dirigidas aos mesmos setores: o financeiro, energético e de defesa. Três bancos russos serão especialmente atingidos. “Estamos a bloquear a exportação de alguns bens específicos, e de tecnologias ao setor energético russo, estamos a suspender as nossas sanções a mais bancos russos e ao financiamento de projetos que pretendiam o desenvolvimento económico da Rússia”, disse Obama. O presidente americano acusou a Rússia de se “isolar cada vez mais, apoiando os separatistas”. Obama recusou, apesar disso, falar de uma nova guerra fria, falando de um “problema específico”.

Há ainda uma outra explicação para a hesitação da Europa, que a deixa atrasada face à postura mais rígida dos norte-americanos: os russos distribuem 1/3 do gás que é consumido no Velho Continente. É impossível esquecer aquele episódio de 2009, no qual, e após divergências com o Executivo ucraniano, a Rússia fechou a torneira ao país vizinho. Resultado? Bulgária, Hungria, Grécia, Turquia, Roménia, Sérvia, Bósnia, Montenegro e Macedónia ficaram sem gás, enquanto Itália e Áustria reportaram falhas de 90% e a França de 70% — veja o nosso Explicador sobre a crise na Ucrânia aqui.

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