O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, ou ISIL) não pode ser derrubado se os EUA ou os seus aliados ocidentais não agirem também na Síria, onde há uma maior concentração de militantes sunitas extremistas, afirmou na quinta-feira à noite o chefe de Estado-Maior das forças americanas, admitindo desta forma a possibilidade de a intervenção militar ser alargada àquele país.

Naquela que foi talvez a sua declaração pública mais contundente desde que os EUA iniciaram os ataques aéreos ao Iraque para travar o avanço dos jihadistas, o general Martin Dempsey afirmou que “se trata de uma organização que tem uma visão apocalíptica que acabará por ter de ser derrotada”. “E pode ser derrotada sem se abordar a parte da organização que reside na Síria?”, pergunta o próprio chefe de Estado-Maior, respondendo prontamente: “a resposta é não”.

Falando à margem de uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Defesa, no Pentágono, o general foi cauteloso ao descrever o tipo de ação que seria necessária para derrotar o ISIS, não confirmando nem desmentido a possibilidade de haver intervenção militar naquele país. Nem um nem outro deram garantias de que a administração Obama estava a preparar estender à Síria os ataques aéreos que tem levado a cabo no norte do Iraque, onde reside parte daquela organização islâmica extremista, mas a hipótese ficou no ar como um de muitos métodos de ação que estariam em cima da mesa.

“Estamos a considerar todas as opções”, disse, quando questionado repetidamente sobre se os EUA iriam ou não ordenar ataques aéreos aos alvos do ISIS na Síria.

“Há enorme variedade de instrumentos, sendo que só uma pequena parte deles são os ataques aéreos”, disse. “Não estou a dizer que vai haver ataques aéreos na Síria, pelo menos não da parte dos EUA”, sublinhou, para a seguir admitir que a missão de travar o ISIS requer todo o tipo de ferramentas disponíveis, do “plano militar ao diplomático, passando pela economia e informação”.

Apesar da cautela nas palavras, o New York Times destaca a importância das declarações de Dampsey, já que se trata do conselheiro máximo do Presidente Barack Obama no que às questões militares diz respeito. Por isso e porque o chefe de Estado-Maior das forças armadas tem sido uma das vozes mais cautelosas quando se fala de ordenar ataques à Síria, sublinhando sempre os riscos inerentes a este tipo de intervenção num cenário de guerra, como o risco de atingir civis inocentes ou de a aeronave ser abatida no ar.

Ameaça iminente que pode durar anos

Falando ao lado do chefe de Estado-Maior das forças americanas, o ministro da Defesa destacou o facto de o Estado Islâmico do Iraque e da Síria representar hoje em dia uma “ameaça iminente” para os EUA e a Europa, que pode demorar anos a ser derrotada.

“São uma ameaça iminente para todos os interesses que possamos ter, quer seja no Iraque quer seja noutro lugar qualquer”, disse Chuck Hagel. Os serviços de informação dos EUA, de acordo com a Bloomberg, afirmaram entretanto que os EUA acreditam que aquele grupo extremista islâmico pode querer desencadear um ataque terrorista de larga escala contra os EUA ou alvos europeus, como parte do plano de se afirmar como o líder do Islão radical.

Segundo o ministro da Defesa, o Estado Islâmico é já considerado o grupo terrorista mais perigosos de todos os tempos por ser “mais sofisticado e financiado do que qualquer outro grupo que já tenhamos visto”. “Eles são mais do que um grupo terrorista, vão para lá de tudo o que já vimos, porque juntam ideologia com uma estratégia sofisticada e proezas tácticas e militares”, disse, sublinhando “o dinheiro, a tecnologia e os recursos” de que dispõem.