Jorge Coelho, presidente da Comissão Eleitoral das primárias do PS, confessou que em março estava muito preocupado com a falta de unidade e tranquilidade entre os socialistas e que tentou “arrumar a casa” no partido, sugerindo que António José Seguro continuasse na corrida para São Bento e que António Costa se lançasse à corrida para Belém.

“Quando fiz essas declarações [durante uma entrevista ao Expresso] tinha uma grande preocupação: criar condições para haver unidade do Partido Socialista”. E a melhor forma para o fazer seria a de “tentar arrumar a casa. Um para primeiro-ministro, e o outro, como é evidente pelas características que tem”, deveria lançar-se à corrida para Belém, explicou durante uma entrevista à Antena1. O “outro” é António Costa, alguém que Jorge Coelho não está “a ver a ficar na Câmara Municipal de Lisboa a vida toda, acho que é uma pessoa com enormes qualidades políticas, sou amigo dele há muitos anos (…), de há muito tempo para cá que lhe reconheço características daquilo que há de melhor na sociedade portuguesa”.

Jorge Coelho reconheceu ainda que os tempos que se vivem são “difíceis” para o partido, algo que é “inevitável”. “Não podemos considerar umas eleições como aquelas que estão a decorrer como umas eleições normais. Não vão ser umas eleições fáceis, são eleições difíceis, duras”, explicou o socialista. No entanto, espera que a dureza das mesmas não deixe sequelas dentro do PS. “Espero que a dureza não ultrapasse aquilo que é fundamental e que fiquem feridas neste processo que fragilizem o partido no futuro”, um receio que Jorge Coelho reconhece ter mas que tem “feito tudo” para o evitar.

“A mim afligem-me sempre as confrontações”, confessou também, referindo-se às picardias entre ambos os candidatos à liderança socialista. “Há que saber ter confrontações com limites. Não nos podemos esquecer que estamos aqui numa luta interna do mesmo partido político, cujos valores têm de ser iguais para as pessoas que estão envolvidas”. Mas, até agora, Jorge Coelho considera que “face àquilo que tem sido o evoluir desta campanha, não foram ultrapassados aqueles que são os limites de um debate politico no momento de uma grande crispação interna”.

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