O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, não tem pressa em encontrar um substituto para Vítor Bento no Conselho de Estado, soube o Observador. A última reunião foi em maio, já passava um ano desde a anterior, e por esse caminho a próxima só será na próxima primavera.

Cavaco tem assim muito tempo para escolher uma personalidade que substitua o economista que durante um mês esteve à frente do Novo Banco. Bento foi escolhido para ficar à frente do BES a partir de dia 7 de julho, ao fim de um mês nascia o Novo Banco, por decisão do Banco de Portugal, e um mês depois Bento demitia-se com um comunicado em que dizia que não concordava com a estratégia definida por Carlos Costa.

Belém não quer pronunciar-se sobre o eventual regresso de Bento a um lugar no Conselho de Estado. O economista ocupava desde 2009 o lugar, para o qual foi escolhido diretamente por Cavaco. Há conselheiros escolhidos pelos partidos, outros que tem o lugar por inerência como o presidente do Tribunal Constitucional ou os ex-Presidentes da República e há ainda dois que são escolha pessoal do Presidente da República. Era o caso de Vítor Bento.

A re-entrada de Bento agora no Conselho de Estado poderia alimentar ainda mais a polémica do BES que já chegou a Cavaco Silva. Em julho, o Presidente garantira que os portugueses podiam confiar no Banco Espírito Santo e já em setembro levantou a dúvida em público que teria sido mal informado pelo Governo.

«O Banco de Portugal tem sido perentório e categórico a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa», afirmou Cavaco Silva em julho.

Depois de ser acusado pelos advogados dos pequenos acionistas de ter, com aquelas declarações incentivado mais pessoas a subscreverem o aumento de capital do banco numa altura em que já estava em dificuldade, o Presidente comentou que Belém “não tem ministérios ou serviços de investigação e espera que o Governo logo que tenha conhecimento de informação relevante a comunique”.

O BES levou mesmo a uma troca de acusações na praça pública entre Cavaco e Passos Coelho. Presume-se que o PR estava ao corrente do que se estava a passar no Novo Banco pelo seu ex-conselheiro de Estado e que essas informações não estariam a bater certo com o que o primeiro-ministro lhe transmitia. O primeiro- ministro respondeu ter informado o Presidente “sobre tudo o que era pertinente” e ter a certeza de que este “teve ocasião para colocar todas as questões e aclarar o que fosse necessário”.