O secretário-geral da CGTP defendeu na quarta-feira que a eventual privatização do Metropolitano de Lisboa “é má para os trabalhadores e para os utentes” e que uma eventual municipalização, “independentemente da boa vontade” de António Costa, “dificilmente resultará”.

Arménio Carlos marcou presença na noite de quarta-feira junto às instalações do metro de Lisboa junto do Marquês de Pombal, onde cerca de cinco dezenas de trabalhadores da empresa e sindicalistas se reuniram para assinalar o início da greve marcado para as 00:00 de hoje, e com uma duração de 24 horas.

O secretário-geral da CGTP defendeu, em declarações à Lusa, que o que se perspetiva para o metro de Lisboa é “uma nova parceria público-privada” em que “o Estado fica com a responsabilidade de pagar as dívidas e os privados entram para a gestão, para fazer negócio e lucro”.

“É uma perspetiva que é má para os trabalhadores, porque se questionam os direitos dos trabalhadores, e é má para os utentes, porque poderá levar, num curto espaço de tempo, a uma redução dos serviços e simultaneamente a um aumento dos preços”, afirmou.

A possibilidade de a Câmara Municipal de Lisboa assumir a gestão da empresa, como tem sido reivindicado pelo seu presidente António Costa, não é, do ponto de vista de Arménio Carlos, uma solução viável, podendo traduzir-se apenas numa antecâmara da privatização.

“A municipalização, independentemente da boa vontade do presidente da Câmara para a apresentar como eventual alternativa à gestão privada, dificilmente resultará, porque a Câmara não tem recursos financeiros para manter uma empresa desta natureza ou a Carris”, sublinhou o sindicalista.

Arménio Carlos espera uma adesão total dos trabalhadores do metro à greve que se iniciou à meia-noite, e aos utentes que contestam as greves frequentes neste transporte da capital apelou a que dirijam a sua contestação, “não aos trabalhadores, mas ao Governo e às suas políticas que estão a destruir o serviço público”.

Anabela Carvalheira, dirigente sindical da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) também se referiu às constantes paralisações na empresa: “Não sei se muitas greves, são as greves que este Governo nos obriga a fazer”.

“À semelhança de todas as outras greves, os trabalhadores do metropolitano vão dar uma grande resposta a mais esta ação de luta, desde logo porque o Governo mantém a intenção de privatizar esta empresa. Os trabalhadores entendem que mais do que defender os seus postos de trabalho, querem defender o serviço público e social, querem defender a soberania nacional. Portugal necessita de transportes públicos de qualidade”, defendeu.

Sobre as recenes notícias relativas às falhas de segurança no metro de Lisboa, Anabela Carvalheira atribuiu à “diminuição drástica de operacionais” a redução da manutenção.

À porta das instalações do metro, alguns trabalhadores referiram à Lusa que temem que a primeira consequência de uma privatização seja o despedimento de trabalhadores.

“Vai piorar a manutenção dos comboios, vão querer fazer mais omeletas sem ovos e as pessoas vão ver os preços dos bilhetes a aumentar”, referiu José, trabalhador do metro de Lisboa.

Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa iniciaram às 00:00 de quinta-feira uma greve de 24 horas, contra a concessão da empresa a privados e o que descrevem como a degradação das condições de trabalho e do serviço prestado ao cliente.

A empresa anunciou a suspensão da circulação entre as 23:00 de quarta-feira e as 00:15 de sexta-feira devido à greve de 24 horas dos trabalhadores, tendo informado que a rodoviária Carris vai reforçar a oferta de autocarros.

O reforço vai acontecer entre as 06:30 e as 20:30 de quinta-feira nas carreiras 726 (Sapadores-Pontinha), 736 (Cais do Sodré-Odivelas), 744 (Marquês de Pombal-Moscavide) e 746 (Marquês de Pombal-Estação da Damaia).