O principal sindicato dos pilotos de França anunciou este domingo a suspensão da greve na Air France, que durava já há 14 dias. De acordo com a agência France Press, as negociações ocorridas no sábado fracassaram e o objetivo agora é tentar continuá-las “num quadro mais sereno”.

“As condições de diálogo social não estão atualmente reunidas. Decidimos assumir as nossas responsabilidades, suspendendo o movimento de greve, (…) e perseguindo as discussões num quadro mais sereno”, pode-se ler num comunicado emitido este domingo de manhã por parte dos responsáveis do Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL).

Entretanto, a Air France já indicou que conta regressar à normalidade “progressivamente” a partir da próxima terça-feira. Em comunicado, a companhia aérea justifica-se com requisitos “operacionais” e com o facto de os aviões terem de passar por uma série de verificações obrigatórias antes de voltar a voar.

O desentendimento entre os pilotos e a direção da companhia aérea, que é apoiada pelo Governo, está relacionado com o desejo da empresa em expandir as rotas da companhia low cost Transavia, que voa para a Europa e para o Mediterrâneo, onde os pilotos ficariam com contratos menos favoráveis do que aqueles que têm atualmente com a Air France. O sindicato, por sua vez, quer um contrato único, algo que a empresa e o Governo consideram um perigo para o sucesso da companhia low cost.

Este sábado, o secretário de Estado dos Transportes de França, Alain Vidalies, acusou os pilotos da Air France, em greve desde o passado dia 15 de setembro, de impedirem a criação de mil empregos na Transavia. “Os pilotos não podem continuar a opor-se ao desenvolvimento da Transavia”, afirmou Vidalies, em declarações à rádio France Info.

A situação na Air France “está a tornar-se extremamente delicada”, afirmou na sexta-feira à noite um porta-voz da companhia aérea, após a recusa dos pilotos de retomarem o trabalho depois de 12 dias de greve. “Estamos a perder 20 milhões de euros por dia”, declarou Eric Schramm. O porta-voz referiu que a administração ficou surpreendida quando os pilotos deixaram a sala onde decorriam as negociações, na sexta-feira, quando “não se estava longe de encontrar uma solução”.