Quando há uma versão a gás de petróleo liquefeito (GPL) no automóvel procurado, ela deve ser preferida a um modelo a gasolina de igual motorização. Nos carros em comercialização em Portugal que têm, para a mesma motorização, versões a gasolina e a GPL, a poupança ao fim de uma década é de 5,2%, em média. Há, no entanto, uma exceção: no Chevrolet Aveo 1.2, a gasolina sai mais barata do que o modelo Bi-Fuel, que combina gasolina e GPL.

Os cálculos do Observador assumem os preços atuais dos automóveis, conforme anunciados pelos fabricantes, os preços atuais dos combustíveis, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), acrescidos do aumento de imposto esperado para 2015 e um percurso médio de 30 quilómetros diários ao longo de pouco mais de uma década. Assumem, ainda, que os donos dos carros bifuel usam exclusivamente o GPL no seu dia-a-dia, o que pode ser difícil, tendo em conta que só há GPL em 7% dos postos de combustível, segundo a DGEG.

Estas simulações complementam as conclusões do artigo “Compre o carro certo para a sua carteira”, que não incluía a análise aos automóveis a GPL. No entanto, só há duas mudanças na lista dos carros mais económicos para a sua carteira: o Kia Picanto a GPL substitui o Kia Picanto a gasolina no segmento citadino e o Dacia Sandero destrona o Hyundai i20 nos utilitários.

Em todas os outros segmentos, as anteriores escolhas mais económicas mantêm-se. Os carros que usam simultaneamente gasolina e GPL tendem a ser mais caros do que os concorrentes, apesar de a despesa diária em combustível ser muito menor. Por exemplo, entre as carrinhas, o Dacia Logan MCV TCe 90cv, a gasolina, custa desde 9.990 euros, enquanto o Logan MCV 1.2 Bi-Fuel vale 12.400 euros. A poupança que se consegue em combustíveis – 100 quilómetros custam 5,58 euros a GPL em vez de 7,50 euros a gasolina – não compensa a diferença de preço no concessionário.

Citadino

Kia Picanto 1.0 GPL More

Kia Picanto

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O Picanto 1.0 GPL só está disponível na versão More, o que acrescenta elementos, como o ar condicionado, o fecho centralizado com comando, os vidros elétricos à frente e o para-choques da cor da carroçaria, ao modelo LX a gasolina. Mesmo assim, ao fim de cerca de uma década, o Kia fica mais leve na carteira usando exclusivamente o GPL. Ou seja, a poupança que se obtém evitando a gasolina mais do que paga os extras da versão More. O preço-base do Kia Picanto 1.0 GPL More é de 11.680 euros, enquanto o Picanto 1.0 LX custa 9.308 euros.

O Picanto é o carro comercializado em Portugal que menos GPL gasta: o consumo em percurso misto é de 5,8 litros, o que quer dizer que, aos preços atuais, 100 quilómetros representam uma despesa de 4,23 euros. O Picanto 1.0 LX tem um custo de 6,30 euros por 100 quilómetros, mais 46%.

A versão a GPL é mais pesada, tornando o automóvel marginalmente menos ágil. A velocidade máxima, por exemplo, desce de 153 quilómetros por hora no Picanto a gasolina para 148 quilómetros por hora. Mesmo assim, quando o Picanto a GPL foi lançado na Europa, o fabricante sul-coreano estimava que 7% das vendas do seu citadino fosse movido a esta energia alternativa. A Kia mantém os sete anos de garantia na versão GPL do Picanto.

Utilitários

Dacia Sandero 1.2 16V 75cv Bi-Fuel

Dacia Sandero. Foto: Denis Meunier

O Sandero Bi-Fuel substitui o Hyundai i20 a gasóleo na lista dos automóveis utilitários mais ligeiros para a carteira. O gasto corrente do Sandero não é dos mais baixos: 7,5 litros de GPL por 100 quilómetros, superior ao Picanto (5,8 litros), ao Chevrolet Spark 1.0 Bi-Fuel (6,8 litros), Fiat 500 GPL Bi-Fuel (6,6 litros), Fiat Panda GPL Bi-Fuel (6,6 litros), Lancia Ypsilon 1.2 GPL (6,8 litros) e Opel Corsa 1.2 Flexfuel (6,8 litros). Todavia, o preço-base faz toda a diferença: 11.400 euros. É o carro a GPL mais barato do mercado.

O Sandero Bi-Fuel é vendido na gama Confort, o que já inclui características como o ar condicionado, vidros elétricos à frente, fecho centralizado com comando e sensor de pressão dos pneus. Os dois depósitos (50 litros de gasolina e 32 de GPL) permitem-lhe uma autonomia de mais de 1200 quilómetros, assumindo os consumos mistos anunciados pela marca romena. A Dacia, subsidiária da Renault, oferece uma garantia de três anos ou 100 mil quilómetros.