O diretor geral de Saúde, Francisco George, afirmou esta tarde que o primeiro caso de infeção pela bactéria Legionella é anterior a 18 de outubro, contrariando as declarações da subdiretora geral, Graça Freitas, que avançou à TVI24 ter sido esse o dia da primeira exposição à bactéria.

“Neste momento, nós pensamos que já encontrámos o primeiro caso”, disse Graça Freitas referindo a um paciente internado no Porto. Horas depois, numa sessão de esclarecimento na empresa Adubos de Portugal, em Alverca, Francisco George viria dizer que não, sem especificar se já foi ou não identificado o primeiro caso.

À noite, na RTP, a diretora geral acabou por explicar a sua afirmação. “No âmbito do inquérito epidemiológico fomos ver os doentes que estavam internados em todo o País. E encontrámos um cujo último dia de estadia em Vila Franca de Xira foi o 16”, disse Graça Freitas. Mais. Esse doente teve “uma ligação temporária a um dos sítios suspeitos. E é mais uma peça para a investigação”, adiantou. Trata-se de uma unidade fabril localizada na zona da Póvoa de Santa Iria.

O diretor geral da Saúde adiantou que foram até ao momento identificados 200 casos e que todos estão relacionados com o concelho de Vila Franca de Xira.

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Alguns doentes nunca estiveram em fábricas nem em ambientes fechados e um deles foi infetado em casa, adiantou. Francisco George disse que durante esta segunda-feira registaram-se mais casos, embora menos do que nos dias anteriores, existindo por isso uma desaceleração do número de doentes.

Além desta informação, sabe-se também que em menos de 24 horas foram identificados dez novos internamentos de pessoas infetadas com Legionella: dois doentes no Hospital Amato Lusitano, de Castelo Branco (HAL), outras cinco pessoas no Hospital de S. José e mais quatro no Hospital do Barreiro.

Ligados a Vila Franca

De acordo com o diretor da DGS, Francisco George, estes casos têm ligações “temporais e espaciais” a Vila Franca de Xira, região onde foi identificado um surto causado pela bactéria Legionella, que provoca pneumonias graves e pode ser mortal.

Em declarações aos jornalistas, o responsável afirmou ao início da noite de domingo que “do primeiro dia para o segundo dia há uma triplicação [do número de casos] e deste último dia para domingo há uma duplicação”.

“Todos os casos, mesmo os de fora de Lisboa, têm uma ligação a Vila Franca de Xira, ou trabalham, ou estiveram lá, ou têm relações de qualquer tipo lá”, disse Francisco George, sublinhando que “a grande maioria das situações aponta para Vila Franca”.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, também no domingo, anunciou que iriam ser encerradas as “principais torres de refrigeração” de empresas na área afetada pelo surto de Legionella, em Vila Franca de Xira, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares. Sabe-se que a além da empresa Adubos de Portugal, foram encerradas as torres de refrigeração da Solvay, na Póvoa de Santa Iria, e da fábrica da cerveja em Vialonga.

O governante disse, ainda, que estão a ser feitos “todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença”.

Novos desenvolvimentos sobre o surto no Barreiro

Já há pistas sobre a origem do contágio no Barreiro: Mário Durval, delegado de saúde da região, afirmou à Lusa, esta segunda-feira, que os doentes internados no Hospital do Barreiro com Doença do Legionário trabalham todos na mesma empresa, na zona de Alverca.

“Os doentes trabalham todos numa empresa da zona de Alverca e residem no Barreiro. A população do Barreiro pode estar descansada e fazer a sua vida normal que não há nenhum problema”, tranquilizou Mário Durval. Ainda assim, o delegado de saúde do Barreiro sublinhou que o número de infetados com Legionella ainda pode aumentar.

“Estão quatro doentes internados no hospital do Barreiro [com idades compreendidas entre os 40 e os 50 anos], três já com análises confirmadas de Legionella e um outro que, apesar de não estar confirmado, todos os indicadores apontam nesse sentido”, afirmou. Neste momento, os doentes estão “estáveis”.

No domingo, Francisco George admitiu que o surto, que já causou 160 infeções e quatro mortes confirmadas, possa estar “próximo do máximo”, explicando que só uma pequena percentagem das pessoas expostas ficarão doentes.

(artigo atualizado às 22h00)