O PCP pediu ao presidente da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES (Banco Espírito Santo) e do Grupo Espírito Santo, Fernando Negrão, que convoque uma reunião entre os coordenadores da comissão “com caráter de urgência”. Em causa está a demora da Comissão de Mercados e Valores Mobiliários em entregar a documentação necessária relativa ao processo. A reunião será quarta-feira à tarde.

Os deputados comunistas afirmam que a falta de documentos está a dificultar a análise dos detalhes do processo que levou à resolução adotada para o BES. A calendarização definida para ouvir as testemunhas pode, por isso, estar risco de não ser cumprida – as primeiras audições estão previstas para 17 de novembro.

“Tendo em conta a necessidade de poder consultar com o tempo devido a documentação solicitada pela Comissão junto das diferentes entidades, bem como a decisão de agendar as primeiras audições da Comissão de Inquérito para datas que possibilitassem o acesso e estudo atempado dessa documentação, julgamos ser necessário ponderar sobre as condições atuais, dada a falta de documentação, bem como a proximidade das primeiras audições confirmadas pelo sr. presidente”, pode ler-se na carta enviada pelo PCP ao presidente da comissão de Inquérito, Fernando Negrão.

O deputado Miguel Tiago explicou ao Observador que até esta terça-feira ainda não foi distribuída nenhuma documentação pedia há mais de 15 dias. “Será muito difícil fazer uma reunião sem tempo para analisar os documentos que entretanto chegarem”, afirmou o deputado, queixando-se que a comissão ainda não recebeu nem a auditoria forense nem as auditorias da KPMG ao Grupo Espírito Santo.