Há um antes e um depois na mensagem de Natal do primeiro-ministro. No antes, referindo-se a três anos de restrições económicas, houve “nuvens negras”, “sacrifícios”, “expectativas frustradas”. 2014 no entanto, foi um ano de viragem, que serviu “para sarar feridas” e começar a recuperar economicamente. O depois será a partir do próximo ano, também ano de eleições, no qual Passos Coelho sublinha ser importante para “não deitar tudo a perder”.

Na habitual mensagem de Natal o primeiro-ministro lembrou que, apesar dos “sacrifícios” vividos por “todos os portugueses”, há “ainda muitas escolhas a fazer para fortalecer o nosso presente e preparar o nosso futuro”. E deixou o aviso:

“É muito importante proteger o que já conseguimos juntos, com grande esforço e sacrifício. Não queremos deitar tudo a perder. Queremos, sim, construir uma sociedade com mais emprego, mais justiça, menos desigualdades, em que não haja privilégios nas mãos de um pequeno grupo com prejuízo para todos“, disse Passos Coelho.

O primeiro-ministro recordou os últimos três anos de “tremendas dificuldades”, mas, nas suas palavras, foram sacrifícios que valeram a pena “para um processo sólido de recuperação do País”. ” É um feito que deve orgulhar cada um de nós. É um feito que comprova a coragem e o empenho dos Portugueses – de todos os homens e mulheres que, num grande esforço nacional, salvaram o País”, disse, numa mensagem de “esperança” e “confiança” no futuro. No entanto, sem esquecer um tema do dia: a resolução do Banco Espírito Santo.

“2014 foi um ano extremamente importante para todos nós. (…) Fechámos o programa de auxílio externo com uma saída limpa, sem precisar de assistência adicional. (…) Ainda para mais quando, depois de termos concluído o programa de assistência externo, fomos obrigados a lidar com a grande adversidade que constituiu a necessidade de resolução de um grande banco nacional“.

2014 foi, por isso, um ano para “sarar as feridas abertas por um processo tão doloroso como foi aquele que se iniciou em 2011”, com uma recuperação económica acima da média da zona euro, “algo que não sucedia há mais de 10 anos”. O chefe do Governo sublinhou os valores “recorde” da exportação e do turismo”. Esta é, por isso, “uma nova fase” de “crescimento, de aumento do emprego e de recuperação dos rendimentos das famílias”.

“Sei que muitos Portugueses ainda lidam com enormes dificuldades no seu dia-a-dia, e que, portanto, é essencial o propósito de garantir que todos sentirão a melhoria das condições de vida. Por isso é que é tão importante que a economia esteja a gerar dezenas de milhares de postos de trabalho“, disse.

A meses das eleições legislativas, Passos Coelho considerou importante continuar a “estimular a criação de emprego, apoiando as empresas, abrindo a economia, multiplicando as exportações e prosseguindo as políticas ativas de emprego para dar as oportunidades que os nossos jovens, e aqueles que estão há mais tempo no desemprego, merecem”. E lembrou o que foi feito ainda este ano, sublinhando o aumento do salário mínimo para 505 euros.

“Em 2014 aumentámos o salário mínimo nacional, que tinha ficado congelado desde 2010. (…) lançámos as bases de uma sociedade mais próspera e mais justa. Desde a agenda para a natalidade, aos incentivos ao investimento, passando pela modernização dos serviços do Estado, foram muitas as políticas de reforma que preparámos e executámos durante este ano”

Para 2015, Passos Coelho prevê “uma recuperação assinalável do poder de compra de muitos Portugueses”. Fala de funcionários públicos e pensionistas e de todos os “Portugueses em geral com o alívio fiscal que a reforma do IRS irá trazer”.