Naquele que foi o primeiro debate plenário de 2015, o PS afirmou que chegou o momento da “avaliação”. Não da avaliação da troika, mas do trabalho do atual Governo. Num discurso de fim de ciclo e início de outro, o deputado socialista Alberto Costa fez uma declaração política em jeito de balanço do atual Governo, afirmando que “só não foi pior” porque o Tribunal Constitucional travou certas medidas. A maioria, no entanto, apontou o dedo aos socialistas por não apresentarem alternativas concretas e Alberto Costa justificou-se: “Não apresentamos propostas já porque a avaliação do trabalho do atual Governo não deve ser perturbada“, disse, lembrando que o PS já disse que apresentaria o seu programa de Governo na primavera.

“O PS já disse em que altura vai apresentar o seu programa de governo”, afirmou Alberto Costa em resposta ao centrista Hélder Amaral, que tinha acusado os socialistas de “fugirem sempre à responsabilidade e ao debate” e de “fazerem do silêncio a sua arma política”. Antes, tinha sido o deputado Cristóvão Ribeiro, do PSD, a subir ao púlpito para falar de “confiança no futuro de Portugal” e para apontar o dedo ao PS, fazendo um balanço dos quase quatro anos de Governo em comparação com os “erros cometidos no passado” pelo Executivo anterior.

Para o socialista Alberto Costa, no entanto, a linha de argumentação dos partidos da maioria, assente na comparação com o passado, é “perversa” e “não conseguirá ilibar a atual obra governativa de um juízo à altura”.

“No dia a seguir às eleições vão ver que esse recurso de estarem constantemente a olhar para o passado sairá perdido”, disse o deputado socialista, que antes se tinha envolvido numa troca de galhardetes com o deputado social-democrata Hugo Soares, que fez uma referência implícita ao último governo liderado por José Sócrates: “O senhor deputado e muitos dos que o acompanham na primeira fila são o rosto da bancarrota e o rosto da troika”.

Mas o ex-governante socialista insistiu na “perversidade” da estratégia dos partidos da maioria, rejeitando “o argumento de que os eleitores deverão rever e reavaliar o que se passou antes das eleições de 2011”. Se em 2011 “a maioria PSD/CDS ganhou e foi revista em alta e o PS em baixa, agora vão ver que é o vosso Governo que vai ser revisto em baixa e o nosso em alta”, disse.

“Os senhores parece que querem violar um princípio democrático que é repetir uma avaliação já feita numas eleições e procurar um resultado da forma mais perversa, estabelecer uma espécie de recurso de apelação, ganharam mas querem rever em alta o vosso resultado, essa é a mais perversa das intenções, é um caminho insensato para se colocarem amanhã numa posição insustentável”, alertou.

O deputado do PCP, António Filipe, foi também crítico da postura socialista. Dizendo que, tal como o PS, também espera que o atual Governo seja condenado nas urnas, apontou o dedo aos socialistas por terem optado pela “atitude de ficar à espera da derrota alheia para dizer o que quer e o que propõe”.