O secretário-geral do PCP desejou esta quinta-feira mais forças políticas e “nova gente” na convergência para uma alternativa política e um PS que não peça votos à esquerda para “continuar a política de direita”, após receber dirigentes do BE.

“É preciso trazer a esta convergência de democratas, patriotas, forças políticas e sociais mais forças, nova gente. Acreditamos que é possível encontrar esse rumo para o país. Não digam que não há alternativa. O nosso país, o nosso povo, tem sempre alternativa”, defendeu Jerónimo de Sousa.

No final de um encontro solicitado pela nova direção bloquista, na sede comunista de Lisboa, o líder do PCP criticou quem se afirma “de esquerda para depois prosseguir a política de direita”, algo “altamente preocupante para o futuro da própria democracia”.

“Aquilo que colocamos ao PS é saber se quer o apoio ou os votos da esquerda para continuar a política de direita. A grande questão que está colocada é ao PS. A vida provou nestes últimos anos, incluindo com a governação do PS, que a proclamação de se afirmar como partido de esquerda para fazer a política de direita é uma contradição insanável, logo, é o PS que tem de resolver essa contradição”, continuou.

Jerónimo de Sousa reconheceu “diferenças” e “até divergências” para com o BE, mas salientou “o esforço que o PCP faz” em “procurar a convergência naquilo que é necessário e possível”, destacando as políticas económica, social, a renegociação da dívida”

“Há aqui identificação de pontos de vista comuns que, não sendo suficientes, são importantes”, disse.

A porta-voz do BE sublinhou, por seu lado, a convergência com o PCP quanto à necessidade de reestruturação da dívida portuguesa e de combate às anunciadas privatizações de empresas públicas, após reunião na sede comunista, em Lisboa.

“Sendo o BE e o PCP partidos diversos, com percursos e posições diversas em muitas matérias, temos uma convergência essencial sobre a necessidade e os meios de Portugal sair da crise e a responsabilidade que temos para essa alternativa para o país. E que essa saída da crise se faz pela reestruturação da dívida soberana”, afirmou Catarina Martins.

A dirigente bloquista salientou ainda que a alternativa política para Portugal passará por “parar o processo de privatizações em curso e recuperar o controlo público dos setores estratégicos da economia”, designadamente “a energia, o serviço postal e a TAP”.

“A convergência entre BE e PCP, é, sem dúvida, sinal de que há outra resposta política no país, que a austeridade não é inevitável e que, mudando os condicionamentos a que Portugal tem estado sujeito, uma voz forte do nosso país na Europa, e obrigando a finança a assumir o prejuízo da crise que criou, pode fazer sair o país da crise. É uma alternativa política crescentemente consistente. Não estamos condenados a uma alternância e rotativismo que seja sempre mais do mesmo”, disse.

Segundo Catarina Martins, a “recuperação dos rendimentos do trabalho, os salários e as pensões” faz também parte das opções com as quais bloquistas e comunistas estão em sintonia.