A norma diz que servem para distinguir os melhores a fazer alguma coisa. Os prémios podem aparecer em tudo: educação, filmes, livros, televisão, cães, vinhos e por aí fora. O desporto não podia ser exceção e, na segunda-feira, ao final da tarde, até se ouviu um português encher os pulmões, abrir a garganta e gritar um “siiiiii” em Zurique, na Suíça, quando recebeu a Bola de Ouro da FIFA. Era a terceira para Cristiano Ronaldo, a terceira vez que é votado como o melhor jogador de futebol do mundo.

Mas depois há os outros prémios. Os que são criados e parecem dizer “não, não repitam isto”. Ou seja, são distinções para destacar o que de mau, ou pior, se fez em alguma área. No cinema, por exemplo, existem os Razzie Awards, que apontam as votações à escolha dos piores filmes e atores do ano. E no futebol já há o Fallon D’Or — uma espécie de Mergulho de Ouro, que usa o nome para brincar o termo Ballon D’Or, denominação original da revista France Football, que em 1956 inventou o prémio que ontem acabou nas mãos do português.

E este, o das quedas, também podia ter ido com Cristiano Ronaldo para casa. O português era um dos nomeados na corrida para o pior mergulho do ano. Leia-se: quando um jogador se atira deliberadamente para o relvado na tentativa de enganar o árbitro e ouvi-lo a apitar uma falta. No caso do português, o site que criou o Fallon D’Or escolheu uma jogada recente — aconteceu a 6 de dezembro, num Real Madrid-Celta de Vigo. Foi nela que o português, enquanto sprintava rumo à área adversária, se deixou cair quando um adversário lhe tocou com uma mão nas costas.

https://www.youtube.com/watch?v=bv-M2gRVmZ0

Resultou, porque aos 36’ o árbitro viu um penálti na queda de Cristiano e deu ao português a oportunidade de marcar o primeiro de três golos que deixaria no jogo. Mas a queda do melhor jogador do mundo — que o site apelidou de “Gravidade” — só ficou em terceiro na lista das mais votadas (17%) para o Fallon D’Or. O vencedor foi “Um Peixe Fora de Água”.

Sem alcunhas, chama-se Adryan Oliveira Tavares, é brasileiro, tem 20 e, ao que parece, talento para o exagero. O médio do Leeds United, equipa do Championship, segunda divisão inglesa, até tinha razões de queixa: com a bola colada ao pé direito, dentro da área, desviou-a de um adversário que acabou por lhe bater na perna. Ele cai e ouvir-se um apito para assinalar o penálti até seria expectável. Mas Adryan quis fazer mais. E fez.

https://www.youtube.com/watch?v=Ay1pvZUNNo0

Rebolou no relvado, agarrou-se à perna, enrolou-se um pouco mais na relva e, às tantas, esperneou como um peixe em terra firma, contorceu o corpo e deu um pequeno salto. Tal e qual. Este sim, foi o grande vencedor com 32% dos votos reunidos online. Atrás dele e à frente de Cristiano Ronaldo ficou uma cena protagonizada por dois jogadores da Major League Soccer, campeonato norte-americano.

Os visados são Chris Wondolowski, do San Jose Earthquakes, e Giancarlo González, então jogador do Columbus Crew. O primeiro levou uma pancada de ombro nas costas do segundo, a meio de uma partida, que o atirou ao relvado. O segundo, depois, levou um ligeiro empurrão do primeiro, com a mão e contra o peito, e resolveu fingir dor — deixou-se cair, agarrou-se ao pescoço e começou a rebolar.

Foi “bom”, mas não chegou para vencer. Ficou com 23% dos votos. Para o ano há mais.