Os relatos do clima de terror que se vive na Nigéria continuam-nos a chegar pela voz dos sobreviventes. Depois do ataque perpetrado pelo Boko Haram, em Baga, que fez um número incontável de vítimas – existem estimativas que apontam para as duas mil pessoas assassinadas – há testemunhas que garantem que existem centenas de mulheres e crianças mantidas como reféns numa escola da região.

Kaltuma Wari, de 40 anos, foi uma das mulheres sequestradas pelo grupo terrorista depois do ataque à cidade. Foi mantida em cativeiro durante dias até ser libertada na quarta-feira. Ela e outras cem mulheres – apenas as mais velhas. “As mais jovens nunca vão ser autorizadas a sair”, contou à Agence France Press.

“Eles [Boko Haram] não tocaram em nenhuma mulher, mas prestavam mais atenção às mais jovens. Vigiavam-nas permanentemente e elas eram sempre acompanhadas por um homem armado, mesmo quando iam à casa de banho”, revelou a Wari.

Durante o tempo em que foi mantida como refém, foi obrigada a cozinhar para os homens do Boko Haram. Entre as mulheres, o ambiente que se vivia era de pânico e de profunda preocupação pelo destino dos familiares que estavam em Baga na altura do ataque. “Algumas de nós entraram num estado de histerismo – eu fui uma delas. Até que eles se fartaram de nós e nos libertaram. Disseram-nos para sair da cidade”, afirmou a mulher de 50 anos.

Wari contou, ainda, que as mulheres e as crianças foram mantidas em dormitórios e em salas de aulas. Algumas tiveram de ficar ao ar livre, apesar do frio que se fazia sentir.

Este é mais um caso de sequestros na sequência de ataques organizados pelo Boko Haram. No dia 12 de dezembro de 2014, a organização terrorista atacou a aldeia de Gumsuri, perto do Lago Chad. Depois de terem assassinado 31 pessoas, os homens do Boko Haram raptaram 191, a maioria “jovens capazes de trabalhar, mulheres e até crianças”, revelou Mamadou Bukar, um dos líderes do grupo de vigilantes da região, na altura, à Bloomberg.

Já antes, em abril desse ano, 276 raparigas tinham sido raptadas de um colégio na Nigéria, o que gerou uma enorme onda de solidariedade por todo o mundo. A maioria foi resgatada pelas autoridades, mas cerca de um terço das raparigas continua refém do grupo terrorista.