Alberto Nisman era o procurador que ameaçava contar ao congresso tudo sobre o alegado envolvimento da presidente argentina, Cristina Kirchner, no encobrimento dos responsáveis por um atentado à bomba contra uma associação judaica que vitimou 85 pessoas em 1994. O procurador ia ser ouvido esta segunda-feira no congresso argentino, mas foi encontrado morto horas antes de depor. A polícia encontrou o corpo de Alberto Nisman no apartamento em Puerto Madero, na capital Argentina, Buenos Aires.

Ainda não há certezas, apesar de um responsável da polícia, Sérgio Berni, ter apontado para que Nisman se tivesse suicidado: “Todos os caminhos levam ao suicídio”. O corpo do procurador foi encontrado pela mãe na casa de banho, que se dirigiu ao apartamento depois de os seguranças privados terem alertado para a falta de resposta aos telefonemas.

Há, contudo, suspeitas de que pode ter sido assassinado. Por um lado, não foi encontrada qualquer nota de suicídio. Por outro, o procurador tinha pedido proteção e havia combinado com os seus guarda-costas que o fossem buscar a casa na manhã do dia em que foi encontrado morto.

O procurador, de 51 anos, tinha a cargo a investigação do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que vitimou 85 pessoas em 1994. Na semana passada, Nisman fez declarações onde afirmou que a presidente Cristina Kirchner tinha encoberto os responsáveis.

De acordo com o procurador, a presidente teria entrado em contacto com o grupo de iranianos suspeitos de terem colocado a bomba na AMIA para que pudesse negociar com eles a compra de petróleo. O procurador pediu a abertura de um inquérito contra Kirchner e ainda tinha pedido um embargo de bens no valor de 200 milhões de pesos a Kirchner e outros responsáveis.

O Governo já reagiu e garantiu ajuda para esclarecer a morte do procurador: “O juiz tem todo o apoio por parte das forças de segurança para garantir o esclarecimento deste facto doloroso”, garantiu Jorge Capitanich, o chefe de gabinete do governo argentino.

De acordo com notícias dos órgãos de comunicação argentinos, a procuradora responsável por investigar o caso contou que tinha sido encontrada uma arma no local onde foi encontrado o corpo e pediu calma para levar a cabo as investigações.

O procurador tinha interrompido as férias em Espanha para revelar as denúncias.

Ora a morte do promotor é suspeita para toda a gente. Segundo um porta-voz da presidência, Aníbal Fernández, a morte de Nisman “não tem nada de normal” e alguns deputados da oposição já lançaram dúvidas sobre se o caso não foi um assassinato.

Uma deputada, Patricia Bullrich, disse mesmo: “Um promotor morto antes de dar uma informação ao congresso num caso que envolvem terrorismo internacional, parece-me de uma enorme gravidade”. E Elisa Carrió, da Coligação Cívica, disse poder tratar-se de um “assassinato”.

Na semana passada, o joalheiro Sergio Hovaghimian, que havia revelado que Cristina Kirchner gastava cerca de 850 mil euros por ano em colares de pérolas, denunciou estar a ser alvo de ameaças de morte que associou ao facto de ter revelado os gastos da Presidente da Argentina, como escreveu o jornal ABC. Sergio Hovaghimian tinha pedido proteção policial desde que se tornou testemunha num caso judicial contra uma joalharia que supostamente vendeu, sem declarar às finanças, colares por 2,5 milhões de euros.