Dos doentes que começaram a ser tratados, no último trimestre do ano passado, com recurso aos fármacos inovadores, como o Sovaldi (sofosbuvir) e equivalentes terapêuticos, já houve 44 a entrar em remissão e que foram considerados curados. A partir desta quarta-feira o sovaldi e o harvoni – os dois medicamentos topo de gama no tratamento da hepatite C – já podem ser administrados a todos os doentes que tiverem indicação clínica para tal.

“Temos já mais de 600 doentes a fazer tratamento efetivamente e muitos deles com o medicamento inovador. E do grupo dos inovadores temos já 44 doentes que saíram do sistema por estarem considerados curados”, revelou Eurico Castro Alves, presidente do Infarmed, à saída da reunião com os hospitais.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, e o presidente do Infarmed, Eurico Castro Alves, estiveram esta quarta-feira reunidos com os presidentes dos conselhos de administração e os diretores clínicos dos hospitais que tratam doentes com hepatite, a passar-lhes as indicações acerca do novo acordo que prevê que todos os doentes com hepatite C possam ser tratados com recurso aos fármacos mais inovadores e eficazes, da Gilead. Esta quarta-feira foi publicada a portaria que consagra a comparticipação a 100% desses dois fármacos.

O objetivo da reunião foi “alinhar posições” e “garantir que os doentes são tratados no tempo adequado”, dando a conhecer aos principais decisores do processo, a estratégia nacional para o tratamento da doença, disse Manuel Teixeira à saída do encontro. Assim, e tal como o ministro da Saúde já tinha referido há duas semanas, os hospitais terão cinco dias para decidir se um doente deve ou não ser tratado com recurso ao Sovaldi (sofosbuvir) e ao Harvoni (sofosbuvir+ledispavir). Como esses medicamentos já obtiveram comparticipação do Estado, o Infarmed já não terá de autorizar a sua utilização.

“Haverá uma norma clínica que a Direção Geral de Saúde está a ultimar, mas em última análise a responsabilidade fica com o médico assistente e a comissão de farmácia terapêutica de cada hospital e é isso que vai garantir a resposta em tempo adequado”, explicou Manuel Teixeira.

Com estas novas regras de tratamento, vertidas num despacho que será publicado amanhã, os hospitais vão naturalmente gastar mais e por isso o Governo criou um programa centralizado de financiamento na Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que vai dando dinheiro aos hospitais. “Vai haver um portal, que o Infarmed vai dirigir, em que os doentes são registados e todo este processo de encomenda, faturação, notas de crédito, financiamento e pagamento é gerado” e “mal o doente é registado no portal como necessitando desse tratamento, a ACSS tem 24 horas para dizer ao hospital: faça a nota de encomenda”, detalhou o secretário de Estado.

No passado dia 6 de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou que tinha chegado a acordo com a farmacêutica Gilead a propósito dos tratamentos para doentes com hepatite C, com recurso aos medicamentos mais inovadores disponíveis no mercado: o Sovaldi (sofosbuvir) e o Harvoni (sofosbuvir+ledispavir). Um acordo que acabou por ser assinado ontem, terça-feira. Além de ter conseguido baixar o preço por tratamento para menos de metade do original (48 mil euros), Paulo Macedo acordou com a Gilead que só pagará caso o doente fique curado. Ou seja, se o doente não ficar curado num tratamento, a farmacêutica terá de oferecer outro. Além do mais o preço por tratamento vai descendo à medida que o número de doentes tratados suba. Há cerca de 13 mil doentes com hepatite C em Portugal, mas nem todos precisarão de ser tratados com recurso a estes fármacos.

Questionado novamente sobre quantos doentes serão tratados em cada ano, o secretário de Estado da Saúde não respondeu.

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