Em vez de uma jarra com flores na água, a Ronería tem uma jarra com hortelã fresca. A erva aromática é amiga do rum, e todos os amigos do rum são bem-vindos no novo bar da Rua de São José. Para beber mojitos e não só, que há muita variedade na bebida que os piratas trouxeram das Caraíbas para a Europa.

German Vera, Oscar Martínez, Ivan Cova e Gustavo Pereira não são piratas mas são da Venezuela, onde o rum é uma espécie de imperial que sai de trás do balcão sempre que um grupo de amigos se junta. Depois de alguns anos a viverem em Portugal, e apesar de virem de áreas diferentes como o design, o marketing, a engenharia industrial e a cerâmica, resolveram que era tempo de pôr uma pala no olho — figurativamente falando — e apresentar aos lisboetas tudo o que se pode fazer com a bebida extraída da cana do açúcar.

“Aqui as pessoas conhecem o Havana Club, o Bacardi, o mojito e pouco mais”, diz Gustavo Pereira, natural de Maracay, “mas há muito para descobrir no universo do rum”. Há por exemplo quatro denominações relacionadas com os produtores: venezuelanos, os únicos com denominação de origem controlada (DOC); hispânicos, que são a maioria; ingleses, feitos nas ilhas que já foram colónias de sua majestade e mais escuros; e franceses, que se distinguem por não serem industrializados e virem com o rótulo de produto agrícola.

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Na Ronería Lisboa, que aproveitou o tamanho reduzido do espaço para recriar o interior de uma barrica de carvalho como as que são utilizadas para envelhecer o rum, forrando todas as paredes com madeira, há 25 variedades da bebida de origens diferentes: da Venezuela, Cuba, Costa Rica, Colômbia, Trinidade e Tobago, Jamaica, Barbados e Martinica, para dar alguns exemplos.

“As pessoas acham que é um bar tradicional, entram e pedem um whiskey”, conta Gustavo, “mas nós não temos. Temos cachaça, porque também vem da cana do açúcar, e temos cerveja e vinho, porque em Lisboa tinha de ser, mas o resto é só rum.”

A solução para quem entra com sede do malte escocês não é sair porta fora. “A quem quer whiskey sugerimos um rum de 23 anos”, diz Gustavo, que divide a função de barman com os outros três sócios e é rápido a alcançar as garrafas de rum velho (dos três aos cinco anos), ouro (dos cinco aos oito) e premium (de oito para cima).

Quanto mais velha, menos aditivos pede a bebida, servida num copo de balão pequeno sem nada ou com uma pedra de gelo. “Fala-se muito na moda do gin, mas beber gin puro é impossível”, diz Ivan Cova. “No rum há muito mais variedade de aromas e sabores só do rum que está na garrafa, e é possível fazer uma grande degustação sem acrescentar nada. Depois dá para misturar com sumos de frutas, com Coca-Cola… Há muita variedade.”

© Hugo Amaral/Observador

O cocktail da casa ou um pedaço das Caraíbas junto aos Restauradores. © Hugo Amaral/Observador

Apesar de o mojito ser o bestseller das três curtas semanas de vida do bar, na carta há muitos outros cocktails, dos tradicionais piña colada e daikiri a inovações como a poncha que leva rum madeirense. Todos os cocktails custam seis euros, tirando a criação da casa, com sumo de maracujá (5€), e há propostas capazes de trazer o calor do Caribe para a zona dos Restauradores, seja nas sombrinhas que enfeitam a borda dos copos, seja no cocktail que junta rum velho com cidra e podia ter uma perna de pau, ou não tivesse sido chamado, apropriadamente, de Pirata.

Nome: Ronería Lisboa
Morada: Rua de São José, 43, Lisboa
Contacto: 96 001 4904
Horário: Segunda a quinta das 17h00 às 00h00, sextas das 17h00 às 02h00, sábados das 16h00 às 02h00 e domingos das 15h00 às 21h00