O escritor e poeta Manuel Alegre foi este sábado distinguido com a medalha de ouro da cidade de Coimbra e, na sessão, ofereceu ao município o manuscrito original de “Trova do Vento Que Passa”, poema de sua autoria. Na cerimónia, que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Alegre agradeceu a distinção “com emoção e humildade”, considerando-a “a mais importante que podia ter recebido na vida”.

Na ocasião, o escritor lembrou nomes vários das artes, do desporto, da política, da vida académica “e da luta pela liberdade”, uma geração que, disse, “mudou a história de Coimbra e do país”. Manuel Alegre disse sentir ao seu lado, enquanto discursava, “de uma forma muito especial e quase física”, o guitarrista António Portugal e o poeta Adriano Correia de Oliveira, que, respetivamente, musicaram e deram voz a “Trova do Vento Que Passa”. O escritor ofereceu ao município o manuscrito do poema, escrito em 1963, afirmando que “desde sempre e para sempre” o texto pertence a Coimbra.

Já o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, dirigiu-se a Manuel Alegre apelidando-o de “excelentíssimo poeta da liberdade” e sustentou a “honra e emoção” com que o município decidiu atribuir-lhe, “por unanimidade e aclamação”, a mais elevada distinção honorífica de Coimbra.

“É um feliz reconhecimento para quem quis fazer da poesia, literatura e política elementos indissociáveis e orientadores de um percurso cívico”, afirmou Manuel Machado. O autarca lembrou ainda que Coimbra inscreveu na sua toponímia a Praça da Canção – livro de Manuel Alegre editado em 1965 e cujos 50 anos são este sábado assinalados – aludindo ao espaço requalificado em 1999 e situado na margem esquerda, junto ao rio Mondego, sinal do “reconhecimento público” sobre o livro e da importância da obra para a história da cidade.

A homenagem a Manuel Alegre inseriu-se no programa da Feira Cultural de Coimbra, que decorre no Parque Dr. Manuel Braga até 7 de junho.