Saturno, o segundo maior planeta do sistema solar, é famoso pelos seus característicos anéis. Phoebe, anel descoberto em 2009, é o maior deles, mas só agora se verificou o seu verdadeiro tamanho: 500 vezes maior do que Saturno.

“Nós já sabíamos que era o maior anel, mas só agora descobrimos que é ainda maior do que pensávamos”, disse ao site Space o líder do estudo Douglas Hamilton, cientista planetário da universidade norte americana de Maryland.

Phoebe foi descoberta dia 7 de outubro de 2009, quando o telescópio Spitzer, da NASA, encontrou este anel em torno de Saturno. O anel é tão grande que seria necessário mil milhões de planetas Terra para ocupar o espaço que ocupa. Os grãos de poeira negra que compõem o colossal anel são, provavelmente, restos do gás proveniente de um impacto cósmico que aconteceu contra uma lua negra, que também se chamava Phoebe.

“É fascinante que este anel possa existir”, disse o Hamilton. “Os livros de ciência dizem-nos que os anéis planetários são pequenos e próximos dos seus planetas parentes. O que nos dizem é que se estiverem demasiado longe dos seus planetas, formam-se luas e não anéis”, disse Hamilton.

“Esta descoberta muda esse paradigma – o universo é muito mais interessante e surpreendente do que qualquer outro sítio que conheçamos”, acrescentou.

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Novas imagens retiradas pela nave WISE, da NASA, revelam que o anel Phoebe é muito maior do que a estimativa de 2009. O seu tamanho estende-se de 100 a 270 vezes mais do que o raio de Saturno – isto é, o anel fica a cerca de 6 milhões até 16.2 milhões de quilómetros do planeta. Segundo Hamilton, o novo anel é 30% maior do que se imaginava.

O anel Phoebe é maioritariamente feito de partículas de pó que medem entre 0.01 a 0.02 milímetros, cerca de 1/10 até 1/15 do tamanho médio de um cabelo humano. As pedras que são do tamanho de bolas de futebol e compõem apenas 10% do anel.

O pó negro do anel Phoebe absorve a luz do sol, o que dificulta a observação do anel. É muito mais fácil a observação através de calor em forma de radiação de infravermelhos, que foi o que a nave WISE captou.

“Um quilometro cúbico do espaço no anel Phoebe deve ter poucas partículas de pó, cerca de 100, no máximo”, explicou Hamilton que justifica que o anel é “um espaço muito vazio”. Acredita-se que as partículas do anel já têm cerca de mil milhões de anos. A sua antiguidade deve-se à forma como as partículas estão dispersas e longe umas das outras, tornando difícil a sua colisão.

Hamilton e os seus colegas suspeitam que Júpiter possa ter um anel gigante semelhante ao Phoebe. “Sempre que um planeta tem um satélite distante, é provável que também tenha um anel distante”, justificou Hamilton.