Um “negociador duro”, um mestre em “política pura” e trabalhador “resistente”. É assim o secretário-geral do PS, descrito na biografia não autorizada “António Costa, os meios e os fins do líder socialista”, lançado esta quinta-feira.

O livro, escrito pelos jornalistas do DN Miguel Marujo e Octávio Lousada Oliveira, traça o percurso de Costa desde que começou a escrever nos jornais aos dez anos como crítico televisivo infantil até à mais recente conquista de poder no Largo do Rato, passando pelas experiências governativas tanto com António Guterres como com José Sócrates. E, segundo os autores, Costa guia-se por três mandamentos: “a confiança nos seus, a atenção e articulação do que está a ser posto em prática e a autonomia total da sua equipa”.

“Costa é uma pessoa capaz de criar equipas, contudo, as pessoas precisam de saber lidar com ele. É intenso no ritmo, exigente na procura de soluções, gosta pouco de não conseguir resolver um problema, irrita-se com facilidade”, escrevem. Quanto aos adversários políticos, reconhecem António Costa “como um negociador duro, mas não turbulento ou crispado. É difícil do ponto de vista do conteúdo das matérias, mas, mais do que difícil, é exigente”. Luís Marques Mendes, hoje ministro da Presidência e líder parlamentar do PSD quando Costa era ministro dos Assuntos Parlamentares no governo de maioria relativa de Guterres, recorda que o socialista não era “turbulento ou crispado”. É antes “um negociador difícil do ponto de vista das matérias, especialmente por ser exigente”, conta.

“Revela-se um bom negociador, um broker, como se diz no universo dos negócios. Sempre de estratégia bem definida, tática oleada e os assuntos dominados, raramente se sai mal no hemiciclo”, lê-se, sobre os tempos em que tinha a difícil tarefa de encontrar consensos no Parlamento.

Mas nem tudo são elogios. “Irrita-se com alguma facilidade”, alimenta relações “de frieza”, tem “um amor-próprio inabalável”. “Costa desautoriza, Costa passa por cima dos seus pares e daqueles que estão sob a sua liderança, Costa grita, Costa ofende”, prosseguem os autores. O socialista, que sempre gostou de reunir com as equipas restritas ao almoço de segunda-feira, chega a irritar tanto os seus colaboradores que houve vezes em que estes nem “chegam a cumprimentar o ministro”.

Um dos momentos de maior tensão entre António Costa e o líder anterior, com quem disputou o lugar, António José Seguro, é descrito ao pormenor. Em 29 de janeiro de 2013, na reunião da comissão política em que admite avançar para a liderança do PS, e recua, Costa diz a Seguro que sabe que vai ser “capaz de unir o partido”. “Eu sei que se fizer uma divisão, dois meses depois o partido está unido. Eu sempre uni o partido e nunca o dividi”, diz a Seguro, acusando-o de não assumir a história do partido. “Não há partido nenhum que não saiba viver a integralidade da sua história. (…) Não venham cá com socráticos ou meio socráticos porque daqui a uns anos seremos todos tão socráticos como hoje somos soaristas, sampaistas, guterristas”, disse, na altura.

O livro está dividido entre o perfil de militante, os momentos mais importantes que protagonizou no PS e o futuro – onde se insere a prisão de Sócrates e os principais conselheiros.