O Ministério Público está a investigar valores suspeitos nas contas bancárias da filha de Armando Vara, conta o semanário Sol (link não disponível). O Observador sabe que a investigação não é recente: começou no início do ano. Foi nessa altura que Bárbara Vara soube que as contas que abrira com o pai, a pedido deste, estavam sob investigação. São contas sediadas na Suíça. Terá sido nessa altura contactada pelas autoridades e percebido que em causa estaria a Operação Marquês, pela qual estava detido o ex-primeiro-ministro José Sócrates, com quem Armando Vara tem uma relação muito próxima.

Durante o interrogatório ao ex-ministro socialista, detido há uma semana dentro do processo da Operação Marquês, o juiz Carlos Alexandre quis saber se tinha explicações para dar sobre algumas movimentações de dinheiro de Bárbara Vara, conta o Sol. A razão é simples: desde que as atenções se voltaram para o resort de Vale do Lobo, no Algarve, os investigadores tentam descobrir se Armando Vara terá ganho contrapartidas em troca de um crédito de 200 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao empreendimento, na altura em que era vice-presidente do banco público, bem como a constituição de uma sociedade da própria CGD que se tornou acionista do empreendimento em 25%.

Bárbara Vara é sócia de duas empresas do pai: tem 0,2 na RightDemand, e 5% na Gera International Trading. As duas consultoras têm morada na mesma rua da casa de Armando Vara, na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, mas dedicam-se principalmente a clientes em África. Continente para onde, aliás, o ex-ministro viajava frequentemente até ser detido na última semana.

Bárbara Vara, 36 anos, trabalha com o empresário Jorge Mendes, na Gestifute como gestora de imagem de vários jogadores de futebol, entre eles Cristiano Ronaldo, e de outros desportistas, como o tenista João Sousa. Uma área que pode ser afectada com esta investigação.

A Gera International Trading foi fundada em junho de 2005, dois meses antes de Armando Vara passar a administrador da CGD. Em 2006, Vara passa também a vice-presidente do banco, ano em que a CGD financia o resort algarvio, e fica com 25% do capital da empresa que gere o empreendimento.

Armando Vara é CEO da RightDemand desde setembro de 2010, e diretor da Gera International Trading desde setembro de 2013.

O juiz Carlos Alexandre, o procurador Rosário Teixeira, e o inspetor da Autoridade Tributária, e Paulo Silva, investigam agora os negócios que envolveram o resort Vale do Lobo, no processo que pôs José Sócrates em prisão preventiva.

Armando Vara, arguido na Operação Marquês, foi detido na semana passada e está agora em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.