Há cada vez mais consumidores a optar por comprar alimentos de origem biológica. Nos Estados Unidos, de acordo com os dados da Organic Trade Association, as vendas deste tipo de alimentos subiu 11% em 2014, por comparação com o ano anterior, e representa uma faturação anual de quase 36 mil milhões de euros. E se há quem compre por considerar que são alimentos mais saudáveis, também os que compram para não prejudicar o meio ambiente.

Mas a verdade é que as produções de agricultura biológica não são tão “amigas” do ambiente quanto se possa imaginar. Um estudo publicado na edição de junho da revista Agriculture and Human Values avança que, no caso norte-americano, esta pode ser tão ou mais prejudicial que a agricultura dita convencional e de massas.

O autor do estudo, Julius McGee, investigador na Universidade do Oregon, garante que a emissão de gases que causam efeito de estufa (GHGs) é maior na agricultura biológica. E tudo porque, nos Estados Unidos, a indústria biológica se tornou tão procurada e lucrativa, que derivou das mãos dos pequenos produtores para a produção em massa, o que levou, gradualmente, a um desrespeito pelo nível de emissões poluentes. Para chegar a esta conclusão, McGee avaliou as emissões em explorações agricultas (biológicas e “tradicionais”) em 49 estados norte-americanos entre 2000 e 2008.

No entanto, McGee garante que, apesar das elevadas emissões, a agricultura biológica continua a ter “benefícios” ambientais, “como o baixo nível de poluição das águas, uma vez que a utilização de pesticidas é reduzida ou nula”, conclui.